Archive for the ‘Dúvidas Existências’ Category

Eu tenho medo de morrer, houve tempos em que só tinha medo da dor, de como ia morrer, mas após duma noite em que me apercebi deste estranho ciclo da vida, que a frase memento mori saltou à minha mente e imaginei a minha vida pós morte que não irei ver, que não será mais minha, este medo surgiu. Eu tenho medo desse quarto escuro, desse vácuo, desse nada, a vida é tão bonita, e detesto a morte dos que amo e a minha própria morte. É estar contra uma espada e uma parede escolher entre a minha morte e a morte dalgum ente querido, admito.
Não quero ser enterrada, cadáveres metem-me impressão, não que me importarei muito na altura porque já terei atravessado o rio e falado com o anjo e o diabo do auto da barca do inferno, ou andarei por aí a pregar partidas à crianças e a fazer-me passar por demónio, ou já terei sido ceifada e lavada pelo reaper, ou simplesmente não estarei a fazer nada porque não haverá nada, sabe-se lá. Escolho a doação de órgãos em caso de morte cerebral, ou doação à ciência escolham vocês, podem cremar-se. Não gosto muito da ideia do caixão.

E a morte irrita-me, não me venham com as merdas da transformação, vocês não sabem merda nenhuma, é por isso que é a vida, como se fosse argumento. Vocês não sabem coisa nenhuma do mundo dos mortos, não sabemos se há paraíso, inferno, reencarnação, espíritos. Ficamos na dúvida, passamos esta vida a jogar à cabra cega, o que vale é o humor do jogo, o que vale é com quem jogamos, porque para mim o jogo vai acabar quando não houver mais ninguém com quem jogar, entendem? É eu estar a cambalear cega num cemitério.
É isso que me conforta, o que me conforta é juntar-me aos meus ídolos e mais tarde aos meus amigos, ou eles juntarem-se a mim, depende. E algo que só pessoas que criam fortes ligações com crianças específicas entenderão, é elas continuarem, manterem a raça, continuarem a legacia da família que não é legacia nenhuma, se eu morrer e souber que o meu sobrinho está vivo, eu serei o cadáver mais feliz do mundo. Caso contrário, morrerei de coração partido e ninguém entenderá e não haverá tempo para explicar.
Eu detesto a morte, eu não quero que a minha família morra, não quero que os meus amigos morram, não quero que sofram mortes dolorosas, eu queria viver para sempre, eu queria vê-los viver para sempre, termos o tempo todo do mundo, mas assim eu não viveria porra nenhuma, talvez seja por isso que a morte faça sentido, é o fim, todas as histórias precisam de um fim para fazer sentido. Faz sentido os budistas lembrarem-se três vezes por dia da sua mortalidade. Faz sentido eu estar encaixada numa época histórica, faz sentido eu ser a personagem principal da minha vida, faz sentido que a conte na primeira pessoa. Faz sentido para o mundo e para todas as leis que o meu coração pare de bater, menos para mim.
E eu estou no início, morro de medo da morte, morro de medo de envelhecer, morro de medo de tanta coisa, e vou ignorando essas coisas, juntando-me com pessoas que amo porque estão na mesma situação, escrevendo porque é a maneira que encontrei de mandar a morte morrer. E tenho imensa pena porque não posso fazer nada contra isto, talvez um dia faça sentido para mim, talvez um dia eu queira morrer, quando o jogo da cabra cega terminar. Mas agora, é para viver e fugir dos mortos. Até que a morte nos separe, mundo.

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Sermos nós próprios não é fácil. Sermos nós próprios quando temos gente à volta que nos torcem os olhos por isso muito menos. Sermos nós próprios no secundário é difícil. Tem sido muito difícil para mim, em dias cedi a pressão, nesses dias odiei-me quando sabia que tinha de ter detestado os que me fizeram sentir assim. E foi aí que comecei a detestar essas pessoas (ou melhor, essas atitudes, porque eu sempre vejo várias pessoas na mesma pessoa e não posso detesta-las a todas a não ser num caso extremo), foi aí que passei a não ter medo de caminhar sozinha nos corredores ou na rua, foi aí que deixei de me importar por me acharem uma solitária. Não me conhecem, eu vivo com as minhas próprias regras e no meu próprio mundo.
Posso ser venenosa se me tentarem meter veneno, the bitch sempre me disse “Nunca digas muito de ti aos outros, muito menos aprofundes das tuas fraquezas e falhas, eles serão fracos por não reconhecerem as tuas fraquezas e não conhecerem o teu passado”, life is the bitch. Nunca me tentem mudar, nunca façam isso nunca tentem, nunca me digam para ser quem eu não sou, porque para teatro só tenho jeito nos palcos ou para atingir algum objetivo, nunca para perder amor próprio, por isso, se ao ser eu própria significa não ser convidada para festas então eu não quero ir a festas, porque elas serão um cenário montado que se esmagara com vómito, esperma, frustração e pela força da falsidade.

Durante dois anos fui eu própria a achar estúpidas as pessoas que deixavam de ser elas por causa das pessoas estúpidas à sua volta, porque eu sabia que essas pessoas estavam no sítio errado com as pessoas erradas. Eu sabia que elas tinham sido mais erradas ao deixar de ser elas. Eu achava que era fácil até ter sido posta no meio de pessoas com as quais raramente me identifico. Até me ter enfrentado várias vezes contra o espelho e ter desejado parti-lo por achar que não era boa em nada e que eu não merecia ninguém. Foi aí que passei a não ter medo de vestir as minhas próprias roupas e de dizer o que queria dizer, foi aí que deixei de me importar por me acharem bizarra. Não me conhecem, eu vivo com as minhas próprias convicções e faço as coisas que gosto.
Eu não estou errada, nunca estive errada, nenhuma das vezes que chorei por ter querido ser como as outras raparigas não estive errada, apenas estive errada em ter desejado algo que rejeito, tanto por escolha como por natureza. Não sou como as outras raparigas, conversas fúteis comigo são raras.
Às vezes estou no sítio errado com as pessoas erradas. E não sou eu que estou errada, eu não tenho nada a provar, eu não tenho que fazer o que seja, eu quero é fazer o que quero fazer, e só isso é (da) minha responsabilidade, tudo o resto é secundário. Quem não escreve um livro, critica.
Não me conhecem, eu vivo com as minhas próprias regras e no meu próprio mundo. Matem a tua falsa realidade longe de mim oh adolescente comum. O que antes era ódio por ti, hoje é pena, puramente pena.

…Encontro o sósia da minha crush.

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Victória acorda para a vida mulher, não tens hipótese
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