Archive for the ‘Bipolaridades’ Category

Quando me refiro a uma pessoa como labrega, não quero dizer um agricultor ou uma pessoa rústica, porque eu tenho uma veia rural e outra urbana, estou habituada a perder-me em pinhais, a passeios de bicicleta por terra batida, a coisas que considero óbvias como quando é que é o tempo de uma fruta qualquer ou a maré da ria, como também estou habituada a perder-me em grandes cidades do mundo, à viagens de avião e a comer fast food, e irrito-me tanto com gente labrega como com gente que não sabe que o leite vem das vacas.
O conceito de labreguice refere-se a gente sem classe, a gente sem educação, sem a mínima lógica, gente que fala de assuntos íntimos para todo o mundo ouvir, uma coisa é eu estar a passear na rua com os meus melhores amigos a falar de pilas e mamas e alguém aleatório apanhar a palavra sexo e ficar a olhar para mim traumatizada (geralmente é algo muito mau), outra coisa é falar com essa pessoa aleatória sobre pilas e mamas e para os seus acompanhantes aleatórios ouvirem, com toda a intenção do mundo, como quem fala que o Romney não pode ser presidente ou que o Coelho é mais um filho da puta. Entendem a diferença?

Labreguice é o que não falta por estas zonas, eu suporto gente um bocado ignorante porque ninguém é obrigado a saber tudo, eu suporto muita gente mesmo que não pareça, eu suporto. O que estou cada vez mais farta é esta labreguice, é raparigas começarem a falar do corrimento e de que tinham de ir a casa de banho porque o corrimento delas era assim e assado, e que tinham tomado banho mas que cheiravam a raposinho porque não sei que das não sei quantas, e eu a frente delas na aula de EF a ouvir tudo, digo, a rapariga a falar para toda a gente sobre o seu corrimento, como se interessasse a alguém que tem muito corrimento e que cheirava a raposinho. Menina, deixa-me explicar-te, tu falas disso com as tuas amigas, eu falo sobre o período, sobre sexo, sobre rapazes, sobre as coisas mais proibidas com as minhas amigas e evito que o meu melhor amigo ouça coisas do período ainda fica gay o pobre, e geralmente baixamos a voz, mas a questão é, não é para falar sobre essas coisas com toda a gente, entendeu?
É esta a principal razão por eu detestar os balneários de EF, parece que são sítios de conferencias sobre comparação de mamas e rabos, sobre as conversas que eu não quero ter com pessoas que não tenho confiança, eu tenho um conjunto de amigas com as quais eu posso ter à vontade esse tipo de conversas, eu até tenho o tal melhor amigo que meia volta me conta coisas que ninguém queria saber e me deixa traumatizada, mas menina do cheiro à raposinho, sabes porque é que não há problema? Porque há confiança e quando há confiança podes falar do teu cheiro à raposinho a vontade como se fosse o Chanel number 5. E eu não consigo estar nua nos balneários, o esforço que tenho de fazer para trocar o top pelo sutiã é horrível, às vezes ficam a olhar, ainda criam uma conversa a volta das minhas mamas ou do meu rabo ou lá o que for. É nojento e demasiado estranho.
É isto e a falta de higiene, sei lá, eu pessoalmente não acho normal que toda a turma beba da minha garrafa de água, são vinte e tal bocas mais as bocas que passam por essas bocas, eu empresto-a à pessoas com quem tenho confiança. Eu acho nojento emprestar objectos pessoais e passarem pela boca de todo o povo, a sério, e parece que sou a única pensar assim, já me aconteceu emprestarem-me toalhinhas de bebés usadas nos balneários. A sério? A sério? A sério?

A sério?

Não querem reutilizar o desodorizante já agora?

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A minha turma é a mesma do ano passado. Este ano suponho que será como o ano passado, melhor e pior. Mantenho a única amizade que fiz e se manteve até agora, que remota o ano de 2010, a Jelly. Há um brasileiro giro que veste t-shirts de Led Zepplin e Motorhead, e entre outras suponho, não está nem há 15 dias em Portugal, não conhece ninguém e não conhece nada, creio que deveria meter conversa com ele e oferecer-lhe ajuda, mas tenho tanta vergonha porque acho-o bonito (e sim, a Vicki não fala com rapazes bonitos até ter a mínima confiança com eles, vai-se lá saber por quê) e sempre tive brasileiras em turmas, mas nunca um rapaz. Há uma luso-russa que está de volta a Portugal, ofereci-lhe o lugar em MACS e mal posso esperar para ver se ganho confiança com ela para perguntar-lhe como se diz “vai a merda” ou “eu amo-te”, números, os dias de semana depois frases mais complexas em russo. Até agora sei dizer Vocka e Priviat. Há outra rapariga nova que esteve a viver em Bélgica há uns anos atrás, mas, o resto trata-se da mesma turma, excluindo os que reprovaram.
Mais nacionalidades a minha turma, que já incluía romena, angolana e venezuelana (eu). Acho giro esta variedade, acho os luso-estrangeiros os portugueses mais inteligentes e interessantes.

This.

Posted: September 19, 2012 in Bipolaridades
E às vezes eu só tenho de repetir constantemente a mim mesma antes de adormecer para NÃO:
  • Falar mal de toda a gente todo o tempo
  • Depender da companhia de quem seja para ir a seja onde for 
  • Me iludir 
  • Deixar amigos por trás por causa de novos
  • Correr atrás de “amigos” que não merecem 
  • Deixar de integrar pessoas na turma ou na escola 
  • Ser estúpida
  • Mudar como toda a gente

Eu gosto muito de rapazes, pelo menos fisicamente, porque eu detesto quase toda a gente, por isso rapaz ou rapariga não me faz diferença, eu sou muito a favor da igualdade. Só que como tenho um melhor amigo rapaz chego a conclusões mais positivas (geralmente…) que raparigas que foram traídas, por isso sou mais paciente e tenho mais conhecimentos e não começo logo a dizer OS GAJOS SÃO TOODOS IGUAIS. Sendo ele uma excepção do que o mundo masculino é na minha idade, porque ele sabe vestir-se, não sente a necessidade de explicar ao pormenor a sua vida sexual a toda gente e não anda a armar-se (digo masculino, mas acho que isto também serve para as raparigas, tirando a vida sexual ao pormenor porque as raparigas não se armam tanto em relação a isso em público, as pessoas assustam-me todas), desculpem a expressão eu sei que digo muitas asneiras no blog mas é que não há outra igual, há uma maioria de gajos que são uns verdadeiros conas ao tentarem parecer fixes.

Ai e tal sou swag, ó pra mim! – Chapéus enormes e redondos a dizer obey ou bonés que parece que saíram da categoria feminina, eu não gosto dos chapéus “swag” enormes e redondos mas não reclamo disso, mas dos bonés saídos da categoria feminia sim para mim o que me mete impressão é que quando o pessoal sai da sala lá estão eles a por o chapéu mesmo que não saiam da escola ou não esteja um dia de sol, é que eles apenas não os podem usar na sala de aula. É horrível. E raparigas também aderiram a esta moda não sei por quê. Ah, o pior é que pensam que mandam alto cenário. Sorry bro, you failed!

Calças coloridas e vestimentos de one direction ou a banda restart brasileira – Não, por favor não, é que mais gajos usam calças azuis ou verdes ou rosa choque skinny jean do que gajas, uma t-shirt roxa ou até cor de rosa fica bonito, mas não não não por favor não, calças extremamente coloridas não são nada sexy nem sequer em raparigas, tirando algo que não seja ladygagamente extravagante em raparigas (e nomeio o vermelho e o roxo escuro pouco brilhante coisa que nunca vi mas já imaginei e quero umas). Eu gosto de homem com calças de ganga e ponto final (e é que começam a ser raras). A outra opção é calças pretas ou então rapaz que veste camisas de botões e coisas de classe.

Rapazes a mostrar os boxers todos – Eu gosto quando os rapazes estão a tirar um casaco e quando o puxam, levantam a t-shirt e mostram a barriga e o começo dos boxers, é algo espontâneo, mas não gosto quando mostram a racha do cu. É estranho e nojento. Por favor, puxem as calças ou comprem cintos.

Por isso entendam, não é sexy tentar parecer swag com chapéus enormes redondos em sítios que não precisas dum chapéu, you know who wears a hat inside a building? No talent douchebags! (eu a copiar quotes de spn), não é sexy calças skinny jean colorida que queimam os olhos, não é sexy mostrar os boxers todos. Aprendam a vestir-se raios!

E para todas as pessoas que não entendem por quê é que eu reajo tão mal ao observarem o ecrã do pc, ao pegar o meu telemóvel ou a pegarem nalgum caderno meu de rascunhos.

  1. Vocês que tem um blog entendem-me, estão a escrever algo, e aparece um fdp qualquer atrás, qual é a vossa reação? Eu detesto isso tanto mas tanto!
  2. Eu fico aterrorizada  se agarram o meu telemóvel nem que seja para verem as horas, há dias eu saltei da cama quando vi a minha irmã de manhã com o meu telemóvel na mão e quase a matava. E eu vou explicar as pessoas que não entendem por quê é que eu reagi tão mal, é que uma pessoa tem vida pessoal e há coisas que acontecem na adolescência e que na adolescência tem de ficar, as pessoas da minha idade usam o telemóvel para falar de assuntos que os adultos não tem por quê meter-se e ponto final. São como as cartas de antigamente. Digam-me numa escala de 0 a 10 o quanto estranho e bizarro seria os meus pais descobrirem que afinal um nome que eles ouviram não era um colega mas num namorado que eu tive, ou lerem as minhas mensagens cheias de sentimentos e asneiras, ou algo como “tou farta da minha família” dito em impulso. Daí. Há coisas que acontecem na adolescência e ficam na adolescência. Mãe, eu não ando metida em drogas!
  3. Ninguém tenta ler o que escrevo, embora duas pessoas tenham tentado e teimado mas eu fiquei tão zangada que desistiram da ideia, mas mesmo sabendo que ninguém vai ler nada do que escrevo, eu fico com um terror se a minha mãe está a arrumar algo e vejo um caderno de rascunhos a ser deslizado porque quem escreve sabe perfeitamente que as vezes escrevem coisas só para eles e que sempre há o risco de alguém ler e só o medo causa ataques quase de paranóia.
  4. Tumblr. Porque às vezes surge pornografia na dashboard. Mais uma razão para não querer que andem a observar o ecrã. Imaginem que os vossos pais vos apanhar a ver redtube ou lá o que é, se eles vem uma imagem dum pénis ou dumas mamas vai ser a mesma vergonha. É que é logo naquele momento e que abrem a porta do quarto e aparece porn no tumblr e as pessoas das séries decidem que como a minha mãe está a ver devem fazer sexo selvagem.
  5. Facebook. Para além de conversas, vão-me perguntar constantemente quem é e não sei quê se virem um nome ou cara. É super irritante. 
Não, a sério, acho que é bastante óbvio que hajam coisas que uma pessoa queira esconder, chega a uma idade que se começa a ter percepção de vida pessoal, se geram sentimentos que só se conseguem falar com certas pessoas e começam a existir segredos. Todo o mundo tem segredos, e os adultos esquecem-se que também foram adolescentes e que vem com uma etiqueta a dizer “parental advisory”. 

E a Jelly disse-me que tínhamos 1 tarde livre. Enquanto que os de literatura tem 3. FDP CFEM VTPAPQVPCDM. O horário ou é muito mau, ou muito bom. Mas como não tenho 2 tardes livres tenho quase a certeza que é grave, porque pelos vistos não tenho nenhuma manhã livre. Agora espero entrar as 8 e tal e sair as 3 e tal se não vou-me atirar a ria. E espero que haja alguma confusão e que tenha outra tarde livre. Pelo menos já não saio as 7 e tal da noite, ao menos isso.
Reacção virtual:
Reacção real:
CFEM – Cabrões fodasse esta merda
VTPAPQVPCDM – Vão todos para a puta que vos pariu conas duma merda

História da minha vida

Posted: September 9, 2012 in Bipolaridades

Quando era pequena criei uma devoção qualquer por livros, eu nos meus 8 anos não tinha a pachorra para ler, mas adorava sentar-me em volta de livros e acariciá-los, arrumá-los, ver os desenhos e abrir os livros com desenhos infantis nas capas, aqueles com musiquinhas, com imagens que se levantavam no ar e pequenos textos que me conseguiam entreter. Se eu desaparecesse em cada duma prima que na altura tomava conta de mim quando os meus pais não me podiam ir buscar ao ATL, ou estaria escondida numa cabana inventada feita de árvores, ou na pequena biblioteca da casa. Um dia ela deparou-se com a biblioteca impecavelmente arrumada. Eu conhecia cada livro de cor.

Mais tarde quando fui para o ensino básico fui-me obrigada a dar voltas no centro comercial porque os meus pais trabalhavam até noite e comecei a ir a livraria que lá havia, não tardou até eu saber onde encontrar cada livro sem hesitar, conhecia aquela livraria melhor que nenhuma outra. Depois, deixei de ir tanto a essa livraria, e no ano passado, fugia às pessoas da escola numa outra porque na área infantil ninguém iria lembrar-se de me procurar lá, ia lá e ainda vou com quem gosta de ler e quem não gosta proque dalguma maneira conseguem entreter-se enquanto outros tem conversas sobre os melhores livros, sobre autores, sobre género literários, sobre Harry Potter, sobre The Hunger Games, sobre The game of thrones e entre outras sagas e livros.

Mockinjay a esquerda na loja do kobo e catching fire em formato físico. Trilogia The Hunger Games.
Nestas férias, como a minha melhor amiga diz, “só trouxeste coisas fixes de Inglaterra”, incluindo um pequeno aparelho chamado Kobo que lê livros e também os compra, por incríveis 6 euros consigo comprar obras que aqui custam por volta de 15 e é se não passam os 20 euros. Ele tem um ecrã especial por isso é a preto e branco, não tem luz, eu preciso de luz para ler com ele, só percebe inglês e francês, não traz um dicionário automático noutra língua porque só entende as línguas dos canadianos, não dá para comprar livros em português, mas posso ligá-lo ao computador e comprar livros pelo wook, bertrand ou qualquer outra livraria virtual que tenha o formato EPUB, mas ainda não o fiz. Também lê PDF mas não tem tanta flexibilidade com o EPUB. Dá para sublinhar, adicionar notas e tem um marcador automático. Posso levar mais 1000 livros comigo para qualquer sítio, mas não o levo para todo o lado porque pode ser algo apetecível por não estar a venda em Portugal. Ele é roxo nas costas, parece uma almofada ao toque, quis o preto mas não havia e não me apetecia esperar mais tempo por isso levei o roxo que também é giro, e agora escolheria em primeiro lugar o roxo, portanto fiz uma boa escolha. Tem uma capinha que lhe dá aparência de agenda ou diário e o protege. É uma boa experiência de leitura, agora ando a ler A sombra do vento de Carlos Ruiz Zanfon .