Archive for the ‘Bipolaridades’ Category

Uma velha colega pediu-me recentemente vídeos do terceiro ciclo, e eu tive de ir ligar um velho computador e vasculhar pastas abandonadas para encontrar o que ele queria que eu procurasse, demorei imenso tempo a passar os tais vídeos para o meu portátil, eu não queria memórias neste portátil, confesso, não essas memórias, tenho tentado fugir do meu passado diário e construir as bases do meu futuro, não existe presente para mim, eu vivo suspensa numa teia de tempo que me destrói, isto não é nenhum presente, neste lugar não há o “viver o momento”, não há muito que se viva mas tanto pelo que viver, se é que eu faço sentido quando falo. Ou escrevo, porque não dou tanto a falar como quando escrevo, talvez seja a minha repugnância a falar com esta raça, depois de me terem empurrado contra paredes mil e uma vezes durante estes anos da minha adolescência pensam que vou olhar com eles com uns olhos queridos e dizer-lhe as minhas melhores deixas, deixo-as para mim, para quem as quiser ler, para quem as merecer, para quem as tentar compreender, para os loucos como eu, e há de chegar o dia que haja quem pague por elas.

Vocês não me entende, nunca entenderam e nunca entenderão, eu não tenho a vossa idade, eu não sinto que seja adolescente, eu obrigo-me a agir como tal, quero que digam que sou imatura, não quero parecer séria tantas vezes, mas o que posso fazer quando não há volta a dar depois de ir ao inferno? Podem-me até empurrar contra o chão e espancarem-me que me vou rir na vossa cara cuspindo dentes, nunca poderão fazer-me o mal suficiente ao ponto de eu chorar a vossa frente, comparado com o que já me fizeram no passado, digam o que disserem tudo me fará rir porque nunca conseguirão afetar-me como as pessoas já me afetaram, eu cresci, e da pior maneira, ao contrário de vocês, a minha existência não é confortável, a minha vida não é confortável, eu não vivo com o papá e a mamã, eu não tenho um grupo de amigos e não sou bonita. E para compensar o meu único talento nato que é escrever, sou uma inútil no resto das capacidades humanas. 

Entendam, eu não estou sozinha por ter sido abandonada por um “grupo de amigos”, não tenho culpa de ter sido a única a querer ficar num momento em que todos decidiram partir, nem que isso custasse a vida de uma pessoa, eles iriam partir, covardes. Eu compreendo, é a natureza humana, é o medo, o que não justifica a vossa falta de valores, mas também, na selva vocês não precisam de ética, e não me interpretem mal, eu não vos odeio, isso implicaria correr atrás de vocês a gritar tudo o que penso de vocês, tenham calma, eu optei por ser má amiga e rir-me de vocês, falo mal de vocês nas costas, e não é que não tenha a coragem de dizer-vos o que penso na cara, na verdade, tenho pensado em confessar-vos a verdade, mas não me tem apetecido, não vejo o objetivo, não vejo como me pode ajudar a ser uma melhor pessoa, ser ou não uma melhor pessoa quando o objeto são vocês os dois meus amigostenho vontade de rir, é tão mas tão inútil eu ser uma boa pessoa com vocês e nem há de facto uma motivação para ser cruel de verdade, dá demasiado trabalho e como vocês tem de ser algo que seja fácil para mim. Em todas as pessoas do mundo, depois de me terem abandonado quando mais precisei de vocês, quando se esqueceram de mim, esperam que eu agora seja a sweetheart que estão a espera? Quem diria huh? Essas caras larocas dos vídeos se tornariam em pessoas sem carácter, esses amigos que pensaram que o seriam para a vida deixaram-se estar ao ver os outros a afogarem-se, Tenho de estudar, tenho teste para a semana. E os outros que antes eram crianças sorridentes, estão agora nas drogas, com pensamentos suicidas, a cagar para a escola, aos berros com a família, ou como eu, a isolar-se cada vez mais e a ver a arrogância crescer nos olhos. Ah Vicki cada um seguiu com a sua vida. 

Crescemos tanto.

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Gosto de estações de serviço, gosto de estações de comboios e gosto de aeroportos. Sempre nutri uma afeição por autoestradas, sempre andei de avião, e a primeira vez que andei de metro foi uma emoção, quando era pequenina queria sempre andar de metro mas tinha de me contentar com um carro, os comboios, só os conheci verdadeiramente nesta Europa.
Nos estados unidos eram as autoestradas, eu sempre adorei autroestradas, começava uma música a dar e eu tentava adivinhar a letra com palavras infantis sem sentido, eu nunca acertei, lembro-me de cantar sobre árvores verdes que via na janela com a convicção de que era aquilo que o cantor iria dizer, era claro que eu nunca acertava, mas eu não desistia.
Quando a autoestrada apareceu no meu distrito, instantaneamente -ou pelo menos, assim a minha memória acha-, surgiu um sentimento de progresso, de modernismo, de sair daquele sítio, de ir para algum lado melhor, e eu nunca perdi essa emoção, as autoestradas serão para mim sempre como o caminho limpo, rápido e fácil da vida, que nos levam ao futuro de uma forma simples, como os ricos que não conhecem crises e são felizes na sua realidade distante à realidade, como se eu me pudesse sentir como as pessoas normais por um momento.

Mas os comboios, esses e os caminhos de ferro são mais mágicos, mais teatrais, mais divertidos, sempre que vejo um Alfa a arrancar sinto aquele aperto na barriga de alguém que está a prepara-se para uma efémera viagem numa montanha russa. Uma adrenalina que me faz sorrir, me faz querer saltar para dentro daquele comboio sem bilhete, sem destino, sem futuro nem passado. Se vai para Lisboa ou para o Porto, tanto me faz, eu quero é ir.
Observo atenta, invejando cada pessoa que entra em qualquer um deles, e eu ali, sem destino, sem bilhete, sem malas de viagens, sinto-me uma desconhecida na minha própria casa, numa terra de ninguém, aquele lugar é seguro, há mais probabilidades de ninguém saber o meu nome nem reconhecer a minha cara, ninguém me fará perguntas, estou à espera de um comboio que não espero.

Os aeroportos são um caso curioso, vejo gente de todo o lado, que se veste das mais variadas formas, que fala línguas que nunca ouvi, se se quisesse fazer um estudo mundial estatístico num único sítio, bastaria escolher um aeroporto, há pessoas de todos os formatos e cores, e de todos os lugares. Gosto de aeroportos, a minha única preocupação é não perder o avião, gosto de imaginar os sítios onde me levarão, gosto de sentir saudades por uns momentos da minha pátria. Quando passo a segurança, parece que já não estou no mesmo país, atrás daquelas paredes transparentes estou em território internacional, aquele lugar é uma cápsula que me permite despedir-me de Portugal sem mo arrancarem dos braços repentinamente.
Gosto de mudar, gosto de ver o sol nascer em comboios e do sol a por-se em aviões, gosto de ver a cidade a afastar-se e gosto de ver cidades pequeninas de baixo dos meus pés, gosto de cruzar a fronteira e me sentir livre, longe da minha terra, gosto de cruzar a mesma fronteira e sentir um alívio por estar de volta.
Não vale a pena prenderem-me, eu vou fugir, eu fujo sempre, mas volto, mais cedo ou mais tarde, não te preocupes, eu amo-te, eu vou sempre amar-te por mais que te queira odiar, não vale a pena, eu amo-vos, eu adoro-vos, mas vocês nunca se preocuparão comigo, e espero que sintam saudades minhas quando o comboio arrancar, vocês merecem isto, vocês merecem isto porque nunca me quiseram enquanto podiam. Agora sofram, sofram o quanto eu sofri, vocês merecem, eu quero ver-vos a pedir-me que volte quando sabem que só vou voltar quando bem me apetecer, preocupem-se agora, falem para mim agora, façam o que entenderem. E quando eu voltar, não é para os vossos braços, é para a minha amada cidade que me embalou e me educou, a minha Grândula Vila Morena, que nunca me abandonou nem me traiu.

Não queres agarrar a minha mão e levar-me para o meio do nada? Eu quero ir para algum lado onde ninguém saiba a minha história nem o meu nome, quero perder-me outra vez. Mas só vou contigo com a condição de tu não me conheceres.

Ontem estive a ter uma conversa com uma rapariga da minha turma que me contou a sua versão do porquê ter saído do seu grupo de amigos, eu questiono-me muitas vezes porque é que as pessoas me acham de confiança e me contam opiniões sobre outras pessoas ou factos.
A conversa que tivemos levou-me a concluir porque é que afinal uma rapariga da minha turma está a ficar cada vez mais magra e porque é que deixei de vê-la, a ela e a sua amiga a comer na cantina.
Não vou contar a história inteira que a minha colega me contou porque isto não é a As tardes da Júlia, vou contar o que me chocou, vocês não precisam de saber a história completa para eu fazer as minhas críticas.

Então, existe esta rapariga da minha turma, magra, produzida, poser de metal, wannabe, desejada por metade da cidade e popular, odiada pela comunidade metaleira e rockeira, depois existe a amiga dela, uma magricelas que lhe serve de aia, não tão bonita, e pouco popular que a única maneira de se safar no mundo social é ser amiga da outra. Nada que eu já não tivesse reparado.
O que realmente me chocou foi o que está por trás do facto de não comerem. E choca-me que raparigas de 14 ou 15 anos não queiram comer, eu acho que se tu tens vontade de enfardar uma vez que outra, tu tens de fazê-lo, privar-te de comer é algo que não faz sentido numa época em que temos a possibilidade de comer bem e com gosto. Queres emagrecer ou engordar? Fá-lo de maneira saudável.
Acontece que certo dia, estava esta minha colega que me contou a história, à porta da casa de banho quando ouve a popular a dizer à outra que é gorda, uma rapariga de menos de 1.60 que pesava menos de 55 quilos e que agora emagreceu ainda mais. Ela diz que isto começou a acontecer com frequência e que acabaram por almoçar bolachas maria em vez de uma refeição completa, “Vica, ela comia lanches completos comigo, sabes? Um sumo e um pão, um croissant ou um lanche, deixei de vê-la a comer” disse-me a rapariga. Eu compreendo que as raparigas queiram ser bonitas, eu quero ser bonita e não quero ser gorda, mas eu sei perfeitamente que se deixo de comer vou ficar sem o período e o meu cabelo vai cair, e acabo por ficar horrível ou morrer. Eu não imagino o apetite que estas raparigas devem ter e nem quero imaginar, é uma tortura física e psicológica, é contra a natureza fazer o que elas fazem, com já disse, come o que gostas, modera as doses e enfarda de vez em quando se te apetecer.
Mas porque é que uma amiga chama gorda a uma rapariga que é uma magricelas, ainda por cima uma amiga? Inveja? Não sei, eu às vezes penso que é querer descarregar em alguém. Para além do peso, a não popular sente que tem de estar à altura da popular, tem de se vestir tão bem como ela e tem de ter um namorado se a outra tiver um namorado, “Victória, se a popular estiver a namorar, a outra vai ter de estar a falar com um amigo desse rapaz”.

Estas não foram o único caso de raparigas jovens obcecadas pela perfeição física doentia que vi nestas últimas semanas, eu no outro dia conheci uma modelo, uma daquelas modelos que não tem jeito para ser modelos porque não parecem naturais e parece que vivem tão sufocadas pelas tendências que nem conseguem sorrir. Para além de arrogante, estúpida, infantil, ignorante e de tratar mal a mãe e a família e não saber fazer nada da vida (chega a mãe a casa dela que nem paga, tem de lavar 7 máquinas de lavar, tem a cozinha completamente suja, e acha que pode ir para as aulas quando lhe apetecer e que pode mandar calar a mãe e as irmãs a frente da minha família), nem bonita consegue ser, nem isso sequer. Sabem o que é que essa obsessão lhe fez? Deixou-lhe o cabelo tão estragado como a palha, uma pele coberta por base que se nota que há algo errado debaixo de quilos e litros de maquilhagem e um corpo que parece alterado através do photoshop, não parece natural, pernas palito e um cu do tamanho do Brasil não é exatamente algo atraente, parece anatomica e geometricamente errado e estranho. E tem vinte anos.
Expliquem-me, até quando é que as mulheres se vão torturar para serem melhores que outras? Nem o fazem para serem boas para os homens, mas sim por uma competição perdida. É uma corrida que não vale a pena miúda, não o faças, sê bonita e sensual, mas lembra-te que uma cara laroca não é tudo no mundo, vais precisar de muito mais para passar nos exames nacionais.

*Sujeito a correções

Ask.fm e as suas paneleirices

Posted: December 10, 2012 in Bipolaridades

Nota: Se não suportarem pessoas que abusam de asneiras quando se passam, olha fodasse.

Não bastava tanta gente idiota no Facebook, eles tinham de criar uma rede social onde pudessem julgar as pessoas a partir do facebook, chamar o tumblr ao barulho e ainda publicar as suas vida privada transformando-se em pequenas celebridades da cidade e arredores, típicos adolescentes populares. Essas vossas carinhas larocas não vos irão levar a lado nenhum, quero ver o quão longe vocês vão chegar.
São criaturas arrogantes que geralmente não suporto, tem uma autoestima demasiado elevada ou tentam armar-se em santos populares “porque são populares mas não querem e não fizeram nada para tal”, claro que não fizeram, então não.

Contextualizem-se: 

Eu já tinha ido ver ask.fm de colegas que tenho no FB, primeiro para ver como era aquilo, e outras vezes sabendo que era uma bosta, eu cliquei sem saber bem por quê (talvez por me enchem as atualizações com os links do ask.fm com frases como “Respondo a tudo”, “Falem comigo estou tão forever alone”, “Façam-me perguntas”, e depois uma pessoa vai ver e as respostas são secas, curtas e muitas vezes respondem mal. Oh amigos, vocês disseram “respondo a tudo” estavam à espera do quê?) e, por entre respostas e perguntas fúteis, descobri algo muito agradável, pessoas que enviam links com fotos de pessoas do FB a pedir para que as avaliem de 1 a 10 ou com frases tipo “Ai achas que a gaja é bonita?”, “Ai vês que ela tem um olho mais claro que o outro?”, “Ah achas que ela é feia?”. Eu fui pesquisar para ter a certeza que não eram casos isolados, e o mais incrível é que eu encontrei coisas piores que os meus print screans, só que não tenho paciência para voltar a fazer prints e a editá-los.
E onde entra o tumblr nisto tudo? É que os donos do ask.fm gostam de avaliar tumblrs. REGRA NÚMERO UM DO TUMBLR: Nunca publicar o link do teu tumblr numa rede social que possa poluir o tumblr, da última vez que isso aconteceu em massa surgiram os FDP dos “swags” com tumblrs populares todos iguais com a mania de terem 1000 followers. Isto não parece muito importante, mas é, e se vocês tiverem menos de 20 anos e tiverem uma conta do tumblr (e não forem do falso swag) entenderão que pessoas não populares refugiam-se no tumblr porque é no tumblr onde estão muito dos adolescentes que sofrem com os adolescentes populares, os “estranhos” como eu, os “satânicos” como eu, que ainda querem ser infantis por mais uns anos, que não saem todos os fins de semanas, seja como forem porque não posso generalizar, o tumblr é quase como o exército das pessoas da minha geração que ainda tem cérebro, uma “espécie protegida”, e irritam-me, e sei que não sou a única a pensar assim.

Há uma falta de autoestima imensa por aí, não que eu seja a pessoa com mais moral para falar em autoestima porque eu tenho graves problemas de autoestima, mas eu não ando a perguntar anonimamente as pessoas se me acham feia ou bonita porque isso não vai mudar nem a minha aparência física nem aumentar a minha autoestima danificada porque para eu mudar é necessário que seja eu a fazê-lo, soa cliché mas é verdade e aprendi da pior maneira, se eu confio nas pessoas que dizem que eu sou bonita automaticamente confio nas pessoas que dizem que feia eu volto a ficar mal, e não convém dependermos à opinião dos outros. E entristeci-me que pessoas mandem links de fotos suas a perguntar aos outros a opinião, e o pior são quando as pessoas mandam fotos de outras pessoas, não tem a noção do quão cruel podem ser? Vocês não conhecem as pessoas, podem ter maiores razões do que Inglaterra a ganhar a segunda guerra mundial, mas se vocês fazem isso só prova o quão covarde e inimigos fracos são, porque para além de meterem pessoas ao barulho que muitas vezes nem vos conhecem, dizem as coisas em anónimo. E que tal dizerem as coisas merdas na cara?

E sinceramente, esses populares podem ir todos cagar. Esses adolescentes a partilhar as suas vidas nas respostas e nas perguntas que vão para o CARALHO. Porque eu estou farta dessa santa hipocrisia e falsa honestidade, no fundo ninguém quer saber entendem? As pessoas só vos fazem perguntas porque vocês pedem esmola e porque vocês fazem perguntas aos outros, e muitas das vezes só vos fazem perguntas para vos chatearem e para quererem saber mais da vossa vida e assim puderem magoar-vos ainda mais. Vocês próprios publicam a vossa vida num perfil público com a vossa verdadeira identidade e depois queixam-se, acordem, a vossa vida não é uma novela brasileira nem a casa dos segredos, se bem que as pessoas acabam por rir-se de vocês e servir-se da vossa existência como um entretenimento de fraca qualidade!
E depois, há gentinha que me chama de forever alone, sabem o que é ser forever alone? É aquela gentinha como vocês que tem medo de ficar sozinhos numa mesa porque o colega do lado está a faltar, gente que partilha os links do ask.fm e tumblr no facebook constantemente para ganhar seguidores (o melhor são aqueles que ainda põe uma frase com o link como “Estou tão forever alone”, “Toda a gente saiu hoje e eu aqui sozinho(a)”, nada irónico meus amigos 🙂 ). Sabem o que é mostrar parte fraca? Não é serem anti-sociais como eu, é pedirem todos os santos dias no FB que vos façam perguntas, mas é que pedem da maneira mais frágil, fazem-no para todo o mundo ver, até me meteria dó se não fosse o nojo que sinto por vocês.
Vão cagar, é tudo o que eu tenho a dizer, vocês não me conhecem, não sabem pelo que eu passei e não sabem do que eu sou capaz. Daqui a uns anos a gente já fala.

Eu não sou nenhuma santa e admito que já fui uma verdadeira cabra com algumas pessoas, e quando digo que já fui uma verdadeira cabra estou a querer dizer que já fui nalgumas situações uma mean girl, já gozei com pessoas nas costas, já disse que uma rapariga era feia, já me ri em situações que deveria ter ficado de boca calada e nalguns momentos já cheguei a ter uma auto-estima demasiada elevada, e é esse um dos temas que eu quero falar neste post, a auto-estima demasiado elevada das pessoas ou demasiado danificada.

Entre pessoas como eu que sabem admitir que a raça humana está recheada de terríveis defeitos e Deus nosso senhor nos abençoou com uma terrível habilidade para falhar e errar que quase parece uma arte, e pessoas que não sabem admitir quando são más e o pior, ainda acham que é fixe cometer erros com as outras pessoas, há uma grande distância.
Ao longo da minha vida fui-me cruzando com este tipo de pessoas, ou melhor, crianças que não eram e não são crianças nenhumas, que sempre gostaram de me fazer sentir mal comigo própria, sempre me deitaram à cara que eu era feia, que eu era burra, que eu não era o suficientemente boa em nada. Desde ao rapaz que me deu um murro no estômago à rapariga que me disse que eu não prestava a jogar basket e me fez esconder de baixo de uma bancada a chorar, desde o rapaz que me insultou e eu perdi a paciência e quase lhe bati à rapariga que dizia que eu era louca, entre outros. 
O meu verdadeiro problema foi eu ter onze anos na altura em que o bullying começou, eu não sabia que eles não tinham razão, eu não sabia que no futuro haveriam adultos a dizer que tinha uma inteligência fora do comum e que de vez em quando surgiriam rapazes que diriam que eu era bonita e que me trariam problemas. Eu não sei porque é que eu era a rapariga deixada sozinha nos corredores, porque quando penso na rapariga popular da minha turma, a verdade é que ela era uma feiosa e mesmo assim ela tinha os rapazes garantidos incluindo o rapaz que eu gostava. E, estas filosofias não me fizeram bem porque eu comecei a pensar que era gorda porque não era uma magricelas, que era burra por ser má a matemática, que era feia por não usar roupas de marca e de moda, que nunca jogaria bem basket como outras raparigas, que eu era demasiado alta, que eu nunca teria um namorado, etc, etc. 
É triste porque as crianças deveriam ser inocentes, não deveriam fazer sentir mal as outras crianças, a culpa é delas? Sim e não. A culpa é delas porque se eu me apercebia com essa idade que quando batia num animal podia chegar a matá-lo e que quando chamava nomes a outra criança ela choraria, então eu não deveria fazê-lo, porque eram coisas tristes. Por outro lado a culpa não é delas porque não foram elas que criaram os concursos de beleza, as revistas cor-de-rosa, as celebridades e muito menos as modas que atingem massas e os padrões de inteligência, elas eram e são vítimas dalgo que os adultos controlam, os adultos tem culpa do bullying, foram eles que criaram sem criar seres tão cruéis.
Ainda hoje no secundário sou uma rejeitada, não como era quando era garota mas sou, e às vezes os fantasmas dos corredores do meu antigo colégio me perseguem e me batem e insultam no corredor de cacifos até que eu desista de correr e caia no chão e chore e me sinta como há cinco anos. Não sou eu que choro, é uma menina de doze anos que acha que eles tem razão e se esquece dos momentos nos quais foi valorizada.
Sim, hoje é diferente, eu sei ler a personalidade dos que me odeiam, as pessoas que me querem atingir tem problemas de autoestima, sofrem de daddy issues, são raparigas que tem problemas com elas próprias e como toda a gente (engraçado, algumas são umas verdadeiras feiosas e a personalidade não as ajuda), hoje eu sei que não sou a única porque conheço muita gente que é como eu, sabem, os populares pensam que todo o mundo os ama mas é mentira, eles vivem nessa podre ilusão, devíamos ter pena deles porque nós somos normais, é normal que hajam pessoas que nos querem fazer sentir mal, eles tem um nariz demasiado empinado, são uns pobres coitados que em vez de investirem neles próprios insultam qualquer pessoa que seja diferente, qualquer pessoa desde que cumpra um ou mais dos seguintes critérios:
  • Veste roupa diferente
  • É um pouco mais inteligente que o normal
  • Tem um sotaque diferente
  • Parece mais novo ou mais velho para a idade
  • É demasiado bonita
  • Não é tão atraente como as outras raparigas
  • É swag
  • Não é swag
  • É bom(boa) nalguma coisa – pelo que deve-se dizer que tem a mania e que acha que é mais do que os outros por ter algum talento
  • É má nalguma coisa – É má nalguma coisa? É burro, inútil, estúpido, não sabe nada!
  • Faz vídeos para o Youtube – Mais uma vez é uma pessoa que acha que é mais do que os outros e que quer aparecer
  • Não sai à noite todos os fins de semana
  • É puta – Puta é uma rapariga que tenha tido vários namorados ou que não goste de compromisso e se fique pelas curtes, é bom lembrar que um rapaz que se fique por curtes deve ser honrado e não criticado, ou pelo menos não digas nada porque sabes bem que é normal 
  • É virgem – Virgem é qualquer pessoa que não tem um histórico público de relações (se as pessoas acham que aquela pessoa nunca teve um namorado(a), então essa pessoa nunca teve um namorado(a) ), mesmo que já tenha tido relações sexuais se essa pessoa não fizer entender aos populares que sabe dar um beijo, então essa pessoa nunca deu um beijo
  • Corta os pulsos – Se é uma pessoa que corta os pulsos e nós não sabemos nadinha da vida dela é óbvio que é uma pessoa com problemas psicológicos que se está a armar em coitadinha! Gozemos com essa pessoa porque é errado cortar os pulsos, não é ao tentar compreendê-la que a haveremos de ajudar!
E se as pessoas cometem suicídio depois de anos de gozarmos com eles e de lhe batermos, o que dizemos? 
         -Oh, não acredito! Gostávamos tanto dele(a)! Tinha tanto talento, era tão bonita, era um modelo a seguir! Como foi capaz? A culpa é da sociedade! 

Estar doente vs Não estar doente

Posted: November 19, 2012 in Bipolaridades

Hi everybody!

A Victória está doente, esteve de cama (ou melhor sofá) o fim de semana inteiro, tem dormido mal e tem tido pesadelos por causa da febre e das dores de garganta e ontem pareceu que tinha as dores do período mas por todo o corpo – desculpem, mas é a única comparação que encontrei para caracterizar a minha dor.
Não, não fui ao médico, e muito menos às urgências, o que teria acontecido caso precisasse dum médico qualquer que me desse uma receita médica depois das cinco (acho eu) e se as vossas urgências forem como às do hospital de Aveiro entenderão o por quê de eu querer estar longe desse lugar, se eu fosse para lá esperaria o tempo suficiente para ficar com amigdalite, depois com pneumonia e só buscavam o meu cadáver três horas depois.
Já não ficava assim doente desde a gripe A que me forçou a ficar em casa durante uma semana, o que foi uma pena e me custou bastante pois não fui as aulas nessa semana lol não, e deve ser a primeira vez que eu falto as aula (tirando as de moral que não contam) no secundário (sim, eu sou aplicada u.u) E isto de ficar em casa tem muitas vantagens, tipo:

  1. A partir do momento em que eu tenho febre os meus pais passam a tratar-me como se eu tivesse três anos ou seja fazem-me tudo porque estou deitada o tempo todo
  2. Não posso fazer os tpc’s nem fazer apontamentos que pena
  3. Vou faltar as aulas que pena também
  4. Não tenho de conviver com os idiotas da minha turma merdosa tenho ainda mais pena ui
  5. TER TEMPO! EU JÁ NÃO SABIA O QUE ERA TER TEMPO. SABEM QUANDO NÃO TEM NADA PARA FAZER OU NÃO PODEM FAZER NADA E ENTÃO FICAM A RELAXAR? Exato. 
  6. Já tive tempo para decorar qual é o número do canal da fox e da axn e a alguma programação da tv
  7. Devo ter andado a beber 5 chás por dia *o* 
  8. Descobri uma mini-série chama Call the midwife bastante interessante pós-segunda guerra mundial
  9. Tenho visto mais phineas e ferb do que nunca yay!
Mas há vários contras: 
  1. Se eu não faço os tps agora vou ter de fazê-los depois ou vou levar falta, se eu não fizer os apontamentos agora vou ter de fazê-los depois e é capaz que tire más notas, se não faço os trabalhos agora vou ter de fazê-los depois e à pressa. Por favor, não podíamos ter uma semana de férias em novembro? 
  2. Não posso fazer nada para além de estar deitar e ir ao pc se não me doer a cabeça
  3. Não consigo comer qualquer coisa, para além do facto que não tenho fome e fico cheia facilmente. Pareço um bebé
E isto de estar doente é chato, não gosto mas pelo menos tenho um dia de folga e uma autorização para não fazer e.f. 

Se calhar alguns de vocês lembram-se do post que eu fiz sobre aquela vez que telefonei aos bombeiros, numa altura em que uma rapariga da minha turma tinha ataques de pânico constantemente. Este ano há uma situação parecida, mas que eu não estava habituada. Desmaios. São horríveis, quer dizer, a maneira que as pessoas perdem o equilíbrio parece que caem mortas.
Esta rapariga que desmaiou não desmaiou uma única vez, é a terceira vez que a vejo a desmaiar, e não estou a contar com todas as vezes que ela desmaia e eu não estou lá para ver. Ontem, ela desmaiou na aula e perdeu a força no pescoço deixando cair a cabeça para trás, o meu único pensamento foi agarrem-lhe o pescoço e a cabeça!, porque é isso que eu fazia ao meu sobrinho há umas semanas atrás (antes de ele começar a ter alguma força) por ser um bebé e não ter força suficiente e poder partir o pescoço.
Eu e a minha colega de mesa que estávamos atrás dela afastamos as nossas mesas e rapidamente apareceram dois rapazes para a poder deitar, depois eu e um rapaz fomos abrir as janelas e duas pessoas saíram para buscar um copo de água com açúcar e uma funcionária, tudo sem pânico, toda a gente calma, menos a professora (por isso já sabem, a minha turma está bem preparada para a evacuação do fim do mundo). Depois à tarde quando subi as escadas vi uma multidão e lá estava ela deitada no chão, de novo.
Hoje, no meio da aula de geografia, ela voltou a desmaiar. A cabeça dela caiu de rompante na mesa quando ela perdeu o equilíbrio. O procedimento que fizemos ontem foi repetido, mas desta vez fui eu a correr à procura duma funcionária porque estava mais perto da porta. Corro e vejo se há alguém no sítio onde é suposto estar uma funcionária, chamo, digo em voz alta a minha colega desmaiou, preciso de uma funcionária ninguém me responde, volto a correr, não vejo ninguém, vou a sala de professores onde ninguém me pode ajudar, vou ao bar e finalmente há alguma funcionária que me diz quem chamar.
Volto revoltada para a sala, insultando mentalmente as velhas que deveriam estar no sítio delas, que deveriam limpar as salas, que deveriam ser menos antipáticas, que deveriam fazer alguma coisa mas não fazem coisa nenhuma. E só depois é que me lembrei. A greve.

Isso, exijam os vossos direitos enquanto esta rapariga pode morrer pela falta de competência e de funcionárias, porque se houvesse uma funcionária naquele corredor, tudo teria sido mais rápido, sabe-se lá o que ela tem (aqui já nem vou falar da falta de competência do nosso sistema de saúde). Palmas aos que exigem os seus direitos! Palmas! Mesmo que isso tire o direito à vida duma jovem, mesmo que isso seja um gasto que eu tenha de vir a pagar enquanto vocês estiverem dois metros de baixo da terra. Então não vivemos numa democracia? Cada um faz o que quer.

PS: Eu sei perfeitamente que as funcionárias da minha escola não ganham 3000 mil euros por mês, mas uma parte bem significativa das pessoas que fazem greve são capazes de ganhar por volta disso