Crescemos tanto

Posted: March 28, 2013 in Bipolaridades, Cenas que escrevo, Uncategorized

Uma velha colega pediu-me recentemente vídeos do terceiro ciclo, e eu tive de ir ligar um velho computador e vasculhar pastas abandonadas para encontrar o que ele queria que eu procurasse, demorei imenso tempo a passar os tais vídeos para o meu portátil, eu não queria memórias neste portátil, confesso, não essas memórias, tenho tentado fugir do meu passado diário e construir as bases do meu futuro, não existe presente para mim, eu vivo suspensa numa teia de tempo que me destrói, isto não é nenhum presente, neste lugar não há o “viver o momento”, não há muito que se viva mas tanto pelo que viver, se é que eu faço sentido quando falo. Ou escrevo, porque não dou tanto a falar como quando escrevo, talvez seja a minha repugnância a falar com esta raça, depois de me terem empurrado contra paredes mil e uma vezes durante estes anos da minha adolescência pensam que vou olhar com eles com uns olhos queridos e dizer-lhe as minhas melhores deixas, deixo-as para mim, para quem as quiser ler, para quem as merecer, para quem as tentar compreender, para os loucos como eu, e há de chegar o dia que haja quem pague por elas.

Vocês não me entende, nunca entenderam e nunca entenderão, eu não tenho a vossa idade, eu não sinto que seja adolescente, eu obrigo-me a agir como tal, quero que digam que sou imatura, não quero parecer séria tantas vezes, mas o que posso fazer quando não há volta a dar depois de ir ao inferno? Podem-me até empurrar contra o chão e espancarem-me que me vou rir na vossa cara cuspindo dentes, nunca poderão fazer-me o mal suficiente ao ponto de eu chorar a vossa frente, comparado com o que já me fizeram no passado, digam o que disserem tudo me fará rir porque nunca conseguirão afetar-me como as pessoas já me afetaram, eu cresci, e da pior maneira, ao contrário de vocês, a minha existência não é confortável, a minha vida não é confortável, eu não vivo com o papá e a mamã, eu não tenho um grupo de amigos e não sou bonita. E para compensar o meu único talento nato que é escrever, sou uma inútil no resto das capacidades humanas. 

Entendam, eu não estou sozinha por ter sido abandonada por um “grupo de amigos”, não tenho culpa de ter sido a única a querer ficar num momento em que todos decidiram partir, nem que isso custasse a vida de uma pessoa, eles iriam partir, covardes. Eu compreendo, é a natureza humana, é o medo, o que não justifica a vossa falta de valores, mas também, na selva vocês não precisam de ética, e não me interpretem mal, eu não vos odeio, isso implicaria correr atrás de vocês a gritar tudo o que penso de vocês, tenham calma, eu optei por ser má amiga e rir-me de vocês, falo mal de vocês nas costas, e não é que não tenha a coragem de dizer-vos o que penso na cara, na verdade, tenho pensado em confessar-vos a verdade, mas não me tem apetecido, não vejo o objetivo, não vejo como me pode ajudar a ser uma melhor pessoa, ser ou não uma melhor pessoa quando o objeto são vocês os dois meus amigostenho vontade de rir, é tão mas tão inútil eu ser uma boa pessoa com vocês e nem há de facto uma motivação para ser cruel de verdade, dá demasiado trabalho e como vocês tem de ser algo que seja fácil para mim. Em todas as pessoas do mundo, depois de me terem abandonado quando mais precisei de vocês, quando se esqueceram de mim, esperam que eu agora seja a sweetheart que estão a espera? Quem diria huh? Essas caras larocas dos vídeos se tornariam em pessoas sem carácter, esses amigos que pensaram que o seriam para a vida deixaram-se estar ao ver os outros a afogarem-se, Tenho de estudar, tenho teste para a semana. E os outros que antes eram crianças sorridentes, estão agora nas drogas, com pensamentos suicidas, a cagar para a escola, aos berros com a família, ou como eu, a isolar-se cada vez mais e a ver a arrogância crescer nos olhos. Ah Vicki cada um seguiu com a sua vida. 

Crescemos tanto.

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