Estou a crescer num país pós-ditatorial em crise, e agora?

Posted: March 17, 2013 in Tipo não te estou a acompanhar

Às vezes esqueço-me do quanto frágil é a minha geração e do quanto eu me posso deixar levar pelas minhas emoções. Eu costumo ser uma pessoa bastante racional e dificilmente me deixo levar por discursos, desconfio de tudo e de todos, não caio em apelos à misericórdia facilmente, mas quando as pessoas próximas a mim estão em perigo e o meu próprio país está à beira do abismo eu perco a noção com facilidade e torno-me na pessoa mais dramática à fase da terra. É contraditório, não sei como explicar, talvez seja o medo e o desespero, porque é isso que muita gente sente hoje em dia com a situação que vivemos, talvez sejam os meus pontos fracos, toda a gente os tem eu não ia ser uma excepção, afinal também eu sinto frio e medo do escuro.

Mas se formos falar sobre quem são os portugueses mais frágeis e que se regem mais pela emoção do que pela razão porque nunca a aprenderam a domina-la efetivamente, seriam primeiro os pobres, depois os velhos e em terceiro lugar os jovens que vou abranger dos zero aos vinte e pouco anos, mas quero falar mais propriamente dos que estão no secundário porque é a realidade que eu melhor conheço. Qualquer pessoa que eu conheça da minha idade, mais ano menos ano, que tenha objetivos de vida (às vezes nem é necessário) tem mentalidade de “estou a estudar mas isto de certeza que não me vai valer de nada”, especialmente se estiver no curso de humanidades ou de artes porque a verdade é essa, de certeza que não nos vai valer de nada, mas podemos sempre emigrar, talvez outro país nos queira.

Parecemos um pouco excluídos, ainda olham para nós como se fossemos as crianças de 2006, não podemos propriamente ter uma posição política, seria estúpido, mas a gente vai falando entre nós sobre o que está a acontecer no país, e não, não sou a única que está a criar uma mentalidade democrática, conheço muito pessoal da minha idade que percebe a situação em que fomos apanhados e entende que somos um país pós-ditatorial. O problema é que nós somos frágeis, temos medo do futuro porque não há dinheiro para cumprir promessas e não há sequer promessas, e se esta geração tem a capacidade de criar o verdadeiro Portugal democrático vai sempre haver alguém para tentar estagnar esse processo democrático e transformar-nos em mais uma geração indiferente e de “o estado que resolva” ou pior, nós seriamos capazes de usar esse poder de forma inversa. É um poder estranho, esta geração tem um futuro que promete sem prometer porque nós “não tivemos tudo” e “vimos” especialmente os nossos sonhos e interesses ameaçados, e apesar de na nossa infância termos vivido à grande e à francesa quando nós crescemos isso mudou e naturalmente sentimos raiva de uma austeridade que quis por propinas num ensino que é público e gratuito. Estão reunidas todas as condições para mudar uma geração que pode mudar o país, esta é a geração que acordou e entendeu que há alguém que está e vai pagar pela revolução de 74, e calhou-nos a nós. Estamos chateados, fazemos as nossas próprias manifestações, grafitamos paredes e casas de banhos, lançamos bombas de molotov dentro de colégios semi-privados, fazemos drogas e pisamos cravos. E há alguém que consegue ver o quanto racionais deixamos de ser em momentos limite, há alguém que consegue ler o medo que sentimos e que entende que somos um rebanho sem um pastor e que no fundo somos crianças, esse alguém não é propriamente uma pessoa com cara e nome, não é uma figura pública, é um “lider” invisivel que já pescou alguns de nós e os transformou em carne de canhão, é um lobo (um lobo ou vários), e apesar da guerra fria ter acabado há muitos anos o comunismo em Portugal chegou mais tarde para arruinar-nos e quer voltar, quer usar-me e vai tentar manipular-me até ao fim, como aqueles ciganos que nos obrigam a comprar as suas quinquilharias e nós compramos para que nos deixem em paz, os ditos comunistas estão a manipular-nos com os nossos próprios medos, exageram-los e romantizam-los, e eu tentei não cair nas suas mentiras e tenho vergonha de dizer que eu caí, eu não sabia que eles estavam por trás daquela estúpida manifestação, eu juro que não sabia que eram comunas até me aperceber que o coordenador era um comunista que passava bem por adolescente.

O que poderia vir a acontecer se eu tivesse dito que sim que ia a uma reunião do partido da juventude comunista?

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