Archive for February, 2013

Sexta-feira passada estava eu no intervalo com umas colegas e um colega, na fila do bar quando aparece uma rapariga da nossa turma que nos cumprimenta com um “Então, estão atrasados” e as minhas colegas ignoram-na, eu olho para ela e cumprimento-a com um meio sorriso, e o rapaz fica ali à deriva, sem dizer nada pelo embaraço.

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As duas foram pedir os seus lanches e eu saí da fila para não ocupar espaço, o rapaz seguiu-me e perguntou-me em voz baixa “Oh Victória, não sentiste pena da Manuela?”, “Um bocado” admiti, “Olha, eu não percebo porque é que vocês raparigas falam mal uma das outras, a Manuela pode falar mal delas, mas elas também falam mal dela!” disse ele confuso, “É difícil explicar-te”, “As raparigas só não acham cabras as suas amigas, de resto são todas cabras, não entendo” respondeu ele, “Eu não sou assim!” repliquei e continuei “Tudo bem que eu fale mal de outras raparigas mas eu não considero todas as que eu não conheça como cabras”, mas ele olhou para mim desconfiado, talvez pelo extremo masculino de não ligarem se tem um amigo falso e o extremo feminino de considerarem uma rapariga normal que comete erros como falsa.

Eu tentei-lhe explicar que há uma percentagem significativa de raparigas que são venenosas, que são matreiras e vingativas, inseguras e que procuram a sua segurança na insegurança das outras pessoas e nas suas imperfeições, os seus maiores alvos são raparigas, em especial aquelas que pareçam inferior a elas, com menos autoconfiança, menos bonitas, menos populares e mais estranhas, depende. Ele não percebeu, mas há de perceber um dia mais tarde quando conheça da forma mais dura o outro sexo.

As raparigas ainda não são iguais aos rapazes -em questão de liberdade-, e escusam de me dizer o que seja ou de dizer que eu sou feminista, a verdade é esta: as raparigas ainda não estão habituadas ao seu novo estatuto, e em vez de competirem com os rapazes, o que já lhes é permitido, ainda competem com as raparigas, mas não é para ver quem corre mais rápido, como os rapazes fazem, é para ver quem consegue correr menos, para ver quem consegue ser mais bonita, para ver quem consegue o gajo tendo uma posição de Cinderela, não lhes interessam se ele é bonito, se tem os six pack, se ele é inteligente ou se gostam dele sequer, o que realmente lhes interessa, verdadeiramente, é ser melhor que a outra, o resto são vantagens. Ela não se vai maquilhar para se sentir bem ou para o rapaz a achar bonita, ela vai fazê-lo para ser melhor que a outra. E a outra, nunca vai desistir, há de continuar a competir com a outra.

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A questão é, o que acontece se essa outra não competir e quiser cagar no assunto? Vai odiá-la, e a primeira também vai odiá-la porque no fundo ela é masoquista, agora como é que vai continuar a provar que é melhor? Tem de procurar outra inimiga, que chatice.

Os rapazes, aproveitam-se disto, afinal o que eles querem sei eu. Eles nunca percebem, não na adolescência, também eles são inseguros, ingénuos e usados. É difícil ser-se rapariga nestas situações, elas matam-se umas às outras, subestimam o seu próprio sexo e vivem em constante TPM (as cabras, não as ditas normais).

E é por isto que as raparigas se odeiam umas às outras, é por isso que falam mal umas das outras, competir e fazer rumores foi a única coisa grande que puderam fazer durante milénios, as outras só podiam apontar o dedo, ou calar-se, como eu opto fazer a maioria das vezes. Fiz-me explicar?

Uma administração inconsiderada, cheia de erros e de vícios, havia acarretado sobre nós toda a casta de males (…). Assim vimos nós desaparecer, desgraçadamente, nosso comércio, definhar-se a nossa industria, esmorecer a agricultura (…).
Perdemos tudo! E até haveríamos perdido o nosso nome, tão famoso no universo, se não mostrássemos que ainda somos os mesmo pela constância com que temos sofrido tantas calamidades e misérias (…).

Li isto no meu livro de história hoje, estou a começar a dar a Revolução Liberal portuguesa, o título é “Manifesto aos portugueses”.

Fonte do documento: Recolhido por J. Tengarrinha, escrito por Manuel Fernandes Tomás (1771-1822), A revolução de 1820, editora Caminho, Col. Universitária, 2, 1982

Estou a ler

Posted: February 13, 2013 in Uncategorized

Estou a ler

Um livro estranho, inspirador, com o qual me consigo identificar dalguma forma, que se cruza entre a fantasia e uma geração “de segunda”.

Posted: February 10, 2013 in Uncategorized

Desafio

Posted: February 9, 2013 in Uncategorized

A Sara passou-me este desafio, chamado Liebster Award, que tem como objetivo divulgar 11 blogs com menos de 200 seguidores, responder as suas 11 perguntas e fazer 11 perguntas a essas pessoas. Bom, eu sou a última pessoa a quem deveriam pedir para vos recomendar blogs, porque tenho estado afastada da blogosfera, por isso deixo isso para uma outra altura. Desta vez vou só responder e depois faço a outra parte 🙂

1. Como descobriste o blogger? E que tencionavas transmitir quando criaste o teu blog?

Eu descobri o Blogger quando tinha 14 anos, e criei um blog por volta dessa altura, já lá vão 3 anos. Eu no início só queria escrever como outros blogueiros, tive como influência uma rapariga lá da escola, depois de uns tempos de ser noob, acabei por criar este blog atual (sim porque apesar de ter mudado para o wordspress o blog é o mesmo porque o exportei e importei), eu acho que comecei a escrever crónicas e não sei bem o que queria transmitir, é uma boa pergunta de facto, hoje só quero que alguém me ouça. 

2. O que achas mais importante num blog? Que assuntos te chamam mais a atenção?

A pessoa e como ela se expressa. Os assuntos que me chamam mais a atenção são crítica, sátira social, gosto de gente que pensa, também gosto de humor e gosto de histórias

3. Como reages aos comentários desagradáveis ou anónimos?

Acho que só tive uma situação assim, mas caguei.

4. A tua pior mania

Escrever. Eu sou especialmente insuportável porque quero escrever, porque não quero escrever, porque devia escrever, porque não sei o que escrever, porque escrevo.

5. O que é que te inspira?

Tudo. O ambiente que me rodeia, música, livros que leio, situações socias.

6. Um vicio

Estalar os dedos
7. Não passas um dia sem…?

Ir ao tumblr

8. Um sonho

Ir viver para um pequeno apartamento de uma grande cidade qualquer só para escrever. Se não for rica ainda melhor.

9. A maior loucura que já fizeste

Criar uma conta no tumblr 

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10.O que é que te faz sentir inseguro ou insegura?

As pessoas. Pessoas fazem-me sentir insegura. 

11.Desejos para 2013.

Olha, eu só desejo que não seja tão mau como 2012. 

Posted: February 9, 2013 in Uncategorized

Já há alguns tempos o livro que tenho visto como best seller na bertrand, na leYa e nos hipermercados é aquele tal 50 sombras de Grey. E então, houve um dia que eu decidi pegá-lo, enquanto o meu pai estava a tratar das compras, só porque sim, porque eu tenho de estar por dentro das coisas para poder criticá-las, se não estou a ser tão idiota como as adolescentes que lêem 50 sombras de Grey com entusiasmo.

Jane Austen lê 50 shadows of grey

Eu tenho um grave problema como leitora e escritora amadora: Se a primeira página não me interessar eu desisto do livro, se não aplico este método logo com o primeiro parágrafo, porque venho muito “mal” habituada com a literatura nacional. Foi o que me aconteceu com esse livro, mas como eu tinha de saber o que é que tinha de tão mal o livro, porque é que haviam tantas críticas, eu tinha de ler parte dele, então eu desisti do início (lá a moça, a Anastacia Steel falava do seu cabelo e que não podia fazer não sei quê porque não sei quem estava doente, não sei, foi algo do género) e fui avançando, e basicamente o que encontrei resumia-se a diálogos de submissão, monólogos da rapariga estar toda maluca pelo Christian e sexo – E eu fui logo parar a um capitulo com um fetiche de pés.

Ponto número um: Sexo é bom, toda a gente gosta de sexo, nada contra cenas escaldantes em livros, mas há um limite para tudo, cenas picantes em histórias de amor são a cereja no topo do bolo, admito, mas tem de haver história e amor e respeito acima de tudo. Se eu quiser ler histórias de foda eu não vou comprar um livro, já viram o que era os meus pais darem de caras com um livro pornô? Seria a mesma coisa que uma mãe ver o histórico do seu filho de 15 anos, verdade seja dita. Para quê comprar livros com histórias de foda se é o que mais há pela internet fora?

Mas o problema é que não é tanto o facto de ser um livro erótico, o problema é que é um best seller que atrai meninas de 13 anos, que está ali em destaque em todas as livrarias do país, da Europa e do mundo! Sabem o que é que deveria ser best seller? Sabem? Livros de verdade, uau. As adolescentes deveriam estar a ler Gonçalo M. Tavares, Edgar Poe, José Luís Peixoto, Carlos Ruiz Zafón, sei lá, tantos bons nomes da literatura internacional e é um pedaço de merda que se torna best seller, é isto que a sociedade valoriza? Que raio se passa?

As adolescentes em vez de estarem a ler bons livros, adolescentes portuguesas que deviam saber o talento português para a literatura, que supostamente estudam Luís de Camões, Garrett, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, como são capazes de deitar fora esse talento português que nos permite ter uma excelente percepção do que é boa literatura, e ler livros assim? Quem é que consegue ler um livro assim depois de ter lido tanto bom material ao longo da escola? Não se entende.

“Say something,” Christian commands, his voice deceptively soft.
“Do you do this to people or do they do it to you?”
His mouth quirks up, either amused or relieved.
“People?” He blinks a couple of times as he considers his answer. “I do this to women
who want me to.”
I don’t understand.
“If you have willing volunteers, why am I here?”
“Because I want to do this with you, very much.”
“Oh,” I gasp. Why?
I wander to the far corner of the room and pat the waist high padded bench and run my
fingers over the leather. He likes to hurt women. The thought depresses me.
“You’re a sadist?”
“I’m a Dominant.” His eyes are a scorching gray, intense.
“What does that mean?” I whisper.
“It means I want you to willingly surrender yourself to me, in all things.”
I frown at him as I try to assimilate this idea.
“Why would I do that?”
“To please me,” he whispers as he cocks his head to one side, and I see a ghost of a
smile.Please him! He wants me to please him! I think my mouth drops open. Please Christian Grey. And I realize, in that moment, that yes, that’s exactly what I want to do. I want him to be damned delighted with me. It’s a revelation.

Este é o problema das democracias, é um problema que todos nós aceitamos, que o mundo aceita, porque a nossa liberdade custou-nos a todos -e sabe Deus o que está a custar agora aos lusitanos- e o problema das democracias é permitir que todo o idiota possa dizer o que quiser quando quiser como quiser, por mais que isso ameace uma democracia e o estatuto da mulher no século XXI. E esta falta de lápis azul, de um filtro que nos salve de tanta porcaria, levou-nos a uma crise de valores e ética. Idolatro os capitães de Abril que nos tiraram da ditadura, idolatro o homem que empurrou o governador espanhol no 1 de Dezembro, viva a liberdade sim senhora, mas fodasse, as pessoas não a podem usar como deve ser e escrever grandes obras? Também não tem a liberdade de calar a boca para que não digam asneira, e as adolescentes não tem liberdade suficiente e cabecinha para verem que este livro é um atentado ao estatuto da mulher no mundo contemporâneo?

Nada de teorias da conspiração nem sociedades de iluminatis atrás do livro, o livro é apenas estúpido e parece incrível que mulheres hoje em dia não saibam reconhecer os esforços feitos no século passado para nós mulheres termos uma vida equitativa aos homens e deixarmos de ser escravas. Pleno século XXI e vem uma empecilha escrever algo tão atrasado temporalmente, tão sem sentido, tão contra a liberdade da mulher. Cria uma rapariga insegura, que não consegue pensar por ela própria, mas que estudou, teve uma educação e não consegue pensar por ela própria, parece-me algo bastante lógico, reparem que a Ana ou Anastácia ou lá o que é, diz He likes to hurt women. The thought depresses me e depois diz Please him! He wants me to please him! I think my mouth drops open. Please Christian Grey. And I realize, in that moment, that yes, that’s exactly what I want to do. 

Mas o que é que se passa? Aguenta Jane Austen, aguenta.