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A morte de meses tenebrosos

Posted: January 13, 2013 in Uncategorized

Fazem já uns dias que 2012 acabou para o mundo. Fazem doze dias que deixei um ano que vou querer esquecer mas sei que nunca o irei conseguir esquecer, não completamente, escrevo demais, se me esquecer vou voltar a lembrar-me, ou dalguma maneira eu sei que há coisas que consegui esquecer mas não apaga-las da minha vida. Elas existem e são a minha consciência.
Gosto de pensar que as coisas vão melhorar, porque o pessimismo levaria-me à morte ou à loucura. Mas não sei, duvido demasiado de mim e de tudo, penso de mais, nunca ninguém me vai perceber, serei sempre a rapariga estranha, serei sempre rejeitada por mim própria, sou optimista, mas para com os outros, lidar comigo é diferente.
Não sei o que me leva a acreditar que este ano será melhor, se as coisas parecem piorar, talvez pelo primeiro de Janeiro deste ano ter sido a primeira vez que ouvi e vi uma verdadeira gargalhada do meu sobrinho. Cada vez é mais fácil roubar-lhe um sorriso e vou conquistá-lo. Enquanto a maioria das pessoas que julguei que fariam parte da minha vida me vão deixando e eu as começo evitar porque a mediocridade numa amizade é-me tão útil como tê-las longe de mim, eu recebo amor desta criança, que ao contrário das outras pessoas pelas quais fiz muita coisa e não fizeram nada por mim ou não quiseram colaborar, merece tudo. Costumo dizer que ele foi a única coisa positiva que aconteceu em 2012, houveram pequenas alegrias falsas, podres e efémeras não me dizem nada neste preciso momento, ou dizem pouco, ou foram poucas para as desgraças que cairam em mim.
Joguei paintball, fugi de casa na minha bicicleta, fugi da minha irmã para dar por mim nas ramblas em Barcelona, e em pleno Londres desconhecido, viajei sozinha de avião, encontrei paz em jardins estrangeiros onde me perguntavam em inglês o que escrevia, aventurei-me em ruas desconhecidas ou familiares, deixei que a minha bicicleta me guiasse até ao coração dos pinhais ou até chegar a ver as autoestradas a cortar o caminho de terra batida, conheci novas pessoas e acidentalmente conquistei uma certa confiança delas, escondi-me nas salas da minha escola de música para tocar piano, passei o meu tempo em bares, jogando uno ou atirando setas. Li livros, vi séries, quase atingi o limite de posts no tumblr, comecei a jogar jogos de tiros, troquei mensagens, conheci novas bandas, aprendi novas musicas e escrevi novas histórias.

Tentei curar feridas, tentei não perder amigos, tentei manter-me firme e não perder a cabeça, tentei  fazer dum quarto estrangeiro e longínquo de adolescentes ausentes o meu lar, tentei não chorar, tentei dormir após dias difíceis, tentei não dar respostas ríspidas aos outros, tentei não fumar, tentei lutar contra os meus monstros e fantasmas, tentei responder aos meus haters, tentei manter a calma e tentei lidar com os cortes que a crise trouxe, tentei não desejar a morte o meu inimigo número um. Acabei por falhar, por omitir, por mentir, por desistir, por perder. Não tive muito tempo para me divertir ou para viver da maneira que queria, só pude tomar as melhores decisões, ou os males se sobrepuseram aos bens da vida.
Cheguei de rastos à dezembro, rastejando cansada e com medo, fingindo que estava bem e sorrindo, e muitas vezes nem sequer conseguindo fingir, pedindo misericórdia ao destino e chorando por um novo começo, e aceitei 2013 não como a possibilidade desse novo começo, mas como a morte de meses tenebrosos que me forçaram a crescer duma maneira que não desejo a ninguém.
E aqui está Janeiro.

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Ontem estive a ter uma conversa com uma rapariga da minha turma que me contou a sua versão do porquê ter saído do seu grupo de amigos, eu questiono-me muitas vezes porque é que as pessoas me acham de confiança e me contam opiniões sobre outras pessoas ou factos.
A conversa que tivemos levou-me a concluir porque é que afinal uma rapariga da minha turma está a ficar cada vez mais magra e porque é que deixei de vê-la, a ela e a sua amiga a comer na cantina.
Não vou contar a história inteira que a minha colega me contou porque isto não é a As tardes da Júlia, vou contar o que me chocou, vocês não precisam de saber a história completa para eu fazer as minhas críticas.

Então, existe esta rapariga da minha turma, magra, produzida, poser de metal, wannabe, desejada por metade da cidade e popular, odiada pela comunidade metaleira e rockeira, depois existe a amiga dela, uma magricelas que lhe serve de aia, não tão bonita, e pouco popular que a única maneira de se safar no mundo social é ser amiga da outra. Nada que eu já não tivesse reparado.
O que realmente me chocou foi o que está por trás do facto de não comerem. E choca-me que raparigas de 14 ou 15 anos não queiram comer, eu acho que se tu tens vontade de enfardar uma vez que outra, tu tens de fazê-lo, privar-te de comer é algo que não faz sentido numa época em que temos a possibilidade de comer bem e com gosto. Queres emagrecer ou engordar? Fá-lo de maneira saudável.
Acontece que certo dia, estava esta minha colega que me contou a história, à porta da casa de banho quando ouve a popular a dizer à outra que é gorda, uma rapariga de menos de 1.60 que pesava menos de 55 quilos e que agora emagreceu ainda mais. Ela diz que isto começou a acontecer com frequência e que acabaram por almoçar bolachas maria em vez de uma refeição completa, “Vica, ela comia lanches completos comigo, sabes? Um sumo e um pão, um croissant ou um lanche, deixei de vê-la a comer” disse-me a rapariga. Eu compreendo que as raparigas queiram ser bonitas, eu quero ser bonita e não quero ser gorda, mas eu sei perfeitamente que se deixo de comer vou ficar sem o período e o meu cabelo vai cair, e acabo por ficar horrível ou morrer. Eu não imagino o apetite que estas raparigas devem ter e nem quero imaginar, é uma tortura física e psicológica, é contra a natureza fazer o que elas fazem, com já disse, come o que gostas, modera as doses e enfarda de vez em quando se te apetecer.
Mas porque é que uma amiga chama gorda a uma rapariga que é uma magricelas, ainda por cima uma amiga? Inveja? Não sei, eu às vezes penso que é querer descarregar em alguém. Para além do peso, a não popular sente que tem de estar à altura da popular, tem de se vestir tão bem como ela e tem de ter um namorado se a outra tiver um namorado, “Victória, se a popular estiver a namorar, a outra vai ter de estar a falar com um amigo desse rapaz”.

Estas não foram o único caso de raparigas jovens obcecadas pela perfeição física doentia que vi nestas últimas semanas, eu no outro dia conheci uma modelo, uma daquelas modelos que não tem jeito para ser modelos porque não parecem naturais e parece que vivem tão sufocadas pelas tendências que nem conseguem sorrir. Para além de arrogante, estúpida, infantil, ignorante e de tratar mal a mãe e a família e não saber fazer nada da vida (chega a mãe a casa dela que nem paga, tem de lavar 7 máquinas de lavar, tem a cozinha completamente suja, e acha que pode ir para as aulas quando lhe apetecer e que pode mandar calar a mãe e as irmãs a frente da minha família), nem bonita consegue ser, nem isso sequer. Sabem o que é que essa obsessão lhe fez? Deixou-lhe o cabelo tão estragado como a palha, uma pele coberta por base que se nota que há algo errado debaixo de quilos e litros de maquilhagem e um corpo que parece alterado através do photoshop, não parece natural, pernas palito e um cu do tamanho do Brasil não é exatamente algo atraente, parece anatomica e geometricamente errado e estranho. E tem vinte anos.
Expliquem-me, até quando é que as mulheres se vão torturar para serem melhores que outras? Nem o fazem para serem boas para os homens, mas sim por uma competição perdida. É uma corrida que não vale a pena miúda, não o faças, sê bonita e sensual, mas lembra-te que uma cara laroca não é tudo no mundo, vais precisar de muito mais para passar nos exames nacionais.

*Sujeito a correções

[Lá está a Victória no seu lugar, queitinha em filosofia a morrer de tédio, quando de repente tem uma brilhante ideia]

Eu (viro-me para a minha colega): Olha olha R., pergunta ao E. o que é que significa gozar no brasil!
R.: E.!
[o rapaz vira-se para trás]
R.: O que é que significa gozar?
[ele faz cara de confuso e expressão do meme you don’t say, como quem procurasse uma forma de responder e eu tento não rir]
E.: Cê sabe, no sexo, quando o homem, ele goza, entende? (depois de falar em censura ela lá entendeu e eu escangalho-me a rir no meio da aula)
E.: É, cê sabia né?! (perguntou-me)

Passado um bocado eu fi-li dizer Morre Diabo e perguntei-lhe o que era uma cabra e ele disse que era um animal. Por acaso até se comportam como tais. E o ovo kinder custa cinco reais. Fui ver a tradução para euro e não parece tanto, mas suponho que para eles cinco reais sejam como os nossos cinco euros. Are you fucking kidding me?

Se fosse brasileira e viesse para Portugal a primeira coisa que eu fazia era ir a um supermercado e comprar tipo mil ovos kinder. Devia ser ilegal poha!

Só mais uma piada, já imaginaram um casal de uma portuguesa e de um brasileiro a discutir?

Tuga: Tu só podes estar a gozar comigo! É que só pode!
Zuca: Cala sua boca, véi!
Zuca: Não pera