O consumismo em Portugal

Posted: December 24, 2012 in Contemporaneonissimo

Nota: Este post é para a blogagem coletiva do Christian, peço desculpa se fujo um pouco ao tema. Espero que este post seja compreensível para os brasileiros (o Chris e BC são brasileiros), porque não escrevi este post como se me dirigisse à portugueses mesmo se falar em “nós portugueses”, nem o escrevi a dirigir-me a brasileiros, eu dirijo-me ao mundo consumista em geral (eu não sei bem se a crise mundial afeta o Brasil, eu não fiz comparações, não no sentido do síndrome do coitadinho nem para dizer que os brasileiros são ricos porque eu sei que o Brasil é um país de extremos), apenas tentei ser compreensível na linguagem €uro, entre outros porque nas outras blogagens do Christian que participei a maioria das pessoas que me leram vivem do outro lado do Atlântico, e não podia escrever como se me dirigisse para tugas.

Na semana passada fui a um centro comercial, e gostava de vos dizer que havia consumismo, que as lojas estavam lotadas, que as pessoas estavam cheias de sacos. Mas não. O que eu vi foi muita gente a ver e poucas pessoas a comprar, como se fizessem uma seleção cuidadosa e tivessem o dinheiro contado. Como se tivessem aprendido a gerir as suas economias. Era isso, ou a banca rota.
Há dois anos atrás eu criticaria o consumismo no natal, e diria “ah vocês hipócritas dizem que estão em crise, estamos todos em crise, em vez de guardar o dinheiro, vocês gastam-no em coisas idiotas!”, e eu pensei que este ano seria o mesmo, mas a situação é trágica em Portugal! Em minha casa “só há presentes para o meu sobrinho”, e quando lhe fui comprar um brinquedo à Chicco (uma das maiores plataformas de produtos para a primeira infância que existe em Portugal, não sei se existe no Brasil) tinham descontos de 50%, a chicco, uma marca de prestigio e qualidade com brinquedos para bebés que em vez de custarem 12 euros, custavam 6 (o que é uma pechincha), e o pior, é que a campanha parece não ter funcionado, porque haviam poucas pessoas a comprar, em plena véspera de Natal, nada parece incentivar os portugueses a comprar.
Pelo menos o novo membro da minha família vai receber os seus primeiros brinquedos este natal porque eu acredito que há imensas crianças que não vão receber nada este Natal, sem contar com todas aquelas que não tem o que comer e terão de se alimentar das campanhas de solidariedade, e eu tenho sorte de ter tudo aquilo que preciso, porque mesmo quando há dificuldades e eu preciso de roupa, o meu pai arranja a maneira de me comprar camisolas compridas e casacos para o inverno e calções e t-shirts para o verão. E sei perfeitamente que é cada vez mais difícil para as famílias comprarem roupa e livros escolares para os seus filhos.

Os ministros que governam o meu país não sabem nada da vida, não tem o direito de nos dizer que 2013 será um ano difícil para toda a gente e que precisamos de união, não tem o mínimo de direito para nos dirigir uma palavra de esperança como se eles também passassem pelo que o povo passa, porque na ceia de Natal eles terão um peru recheado de kaviar, beberão o vinho mais caro à fase da terra e oferecerão prendas aos filhos e netos que compraram com o dinheiro que nos roubaram.
Irrita-me por toda esta situação que vivemos em Portugal, que haja consumismo excessivo e doentio noutros países, especialmente na época natalícia, porque nota-se que não sabem o valor do dinheiro. Posso parecer a minha mãe a falar, mas acreditem, quando estiverem numa crise, os impostos aumentarem o preço de tudo e o vosso dinheiro parecer evaporar, vão olhar para o dinheiro de uma forma diferente. As lojas que costumavam ir comprar roupa de repente se transformarão em lojas de luxo, as marcas brancas servirão perfeitamente para substituir um queijo philadelphia ou uma coca-cola – Coca-cola?! mas que coca-cola?! Só quando está a quase metade do preço é que se compra!
Sabem o que é que acontece em Inglaterra nesta altura do ano? Vocês saem à rua e vêm consolas de jogos à beira da estrada que ainda se usam porque saiu um novo software e o idiota inglês vai comprar uma nova consola, vão ver uma televisão LCD na rua porque saiu o novo modelo da Samsung, vão ver frigoríficos com um ano de uso porque o inglês viu um frigorífico com duas portas e apeteceu-lhe comprar! Expliquem-me, o extremo do consumismo inglês, quando eles sabem perfeitamente, ou deveriam saber, que também eles serão arrastados para a crise! Não faço ideia como é a situação noutros países ricos da Europa, mas eles estão a fechar os olhos e olham para Portugal, Espanha e Grécia como se fosse África. Ignorem o sangue derramado nas ruas de Atenas, ignorem Lisboa a arder, ignorem Madrid aos gritos. Consumam tudo o que virem à vossa frente, comprem comida que vão desperdiçar, comprem prendas que os vossos filhos irão guardar no armário e nunca mais irão ver, gastem centenas de euros ou dólares ou reais em coisas fúteis que nem valor sentimental tem, e o mais importante, lembrem-se de fazer um brinde e rezar à Deus para que a situação em Atenas melhore e todas as crianças portuguesas possam comer uma refeição quente, porque vocês são intocáveis e invencíveis até o dia que a desgraça vos bater à porta. Se se perguntam porque trago o caos de Atenas para a blogagem, só quero dar um aviso ao mundo, nós estamos em crise pelo efeito negativo do consumismo e maus investimentos. É hora de pagarmos as coisas que não soubemos dar valor antes.

Isto é Grécia, em Portugal a polícia é nossa amiga desde que não os tentemos matar, só não estão do nosso lado porque se isso acontece há um golpe de estado. Isto é Portugal:
E isto é Espanha:

Por outro lado, também gostaria de ver consumismo nas ruas da minha cidade, gostaria de ter entrado na Chicco e ter visto imensas crianças a exigir brinquedos, de ter ouvido bebés a chorar e ter ficado com dores de cabeças, de ter visto a roupa infantil toda desarrumada e mulheres a discutir por um body de bebé, gostava de ter visto as funcionárias atarefadas, de ter tido dificuldade em agarrar o brinquedo para o meu sobrinho e ter saído dali a pensar num post para criticar o consumismo em Portugal, porque seria sinal que as pessoas tinham dinheiro para gastar à grande e à francesa, mas não, aquela loja vai ter dificuldade em escoar os produtos e voltará a baixar os preços numa tentativa de vender algo.

Eu detesto “queixar-me” disto porque até o facto de descrever a situação da crise me faz sentir sufocada mas eu sinto que tenho de fazê-lo mesmo que ninguém me ouça e mesmo que eu própria me torne irritante para os outros. Não sei, é algo que não percebo em mim.
Desejo sorte a todo o mundo porque 2013 será um ano politico e economicamente difícil, tenham uma boa passagem de ano e um bom natal!

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Comments
  1. Não fugiu ao tema Victoria, debateu sobre o consumismo em seu e outros países.
    Desde que nasci, aqui no Brasil, vejo pessoas realmente reclamando de crise, porém, em época de fim de ano, mal se pode caminhar pelos estabelecimentos de tanta gente comprando.
    Talvez os portugueses tenham mais noção e consciência da crise ou esteja muito grave realmente por aí tomando por base o que relata em seu texto. O que sei é que por aqui o consumismo, sai ano e entra ano, está cada vez mais forte.

  2. Christian: Nós também era-mos assim há 5 anos atrás, toda a gente falava em crise mas ninguém a vivia de facto. É um pouco dos dois sabes, se as pessoas não tomassem consciência entravamos em banca rota, e também não temos o dinheiro para gastar. A situação está cada vez pior em Europa, não só em Portugal, porque temos uma moeda comum.

    O que eu sei do Brasil é que dizem que é uma das maiores potências mundiais e dos países mais ricos, mas que em termos de desenvolvimento, ainda está a trabalhar nisso. Eu teria cuidado com o consumismo, nós temos uma dívida que demorará pelo menos 70 anos a pagar por causa do dinheiro mal gasto.

  3. Olá, querida Victória
    Resolvi participar pelo idealizador (amigo nosso) e pelo tema em si que me dá prazer em combater…. é na simplicidade que encontro mais alegria interior que se reflete ao redor de mim…
    O que vc mostra tem sido alvo de oração da parte dos piedosos que é o mínimo que podemos fazer…
    Bjs de paz e bem em 2013

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