Archive for December, 2012

O conceito de Rebeldia

Posted: December 29, 2012 in Uncategorized

Se rebelde não é sobre fugir de casa a meio da noite para ir a uma festa e embebedar-se, ser rebelde não é sobre tirar más notas e faltar ao respeito aos teus professores, ser rebelde não é fumar nem viciar-se em drogas, ser rebelde não é cuspir para o chão nem falar mal, ser rebelde não é sobre incendiar carros nem sequer espancar a polícia nas manifestação, porque eles estão lá para te proteger de tiroteios e de ataques, e se eles escolhem o teu lado sabes o que é que acontece? Acontece um golpe de estado, é isso que acontece. E em muitos casos um golpe de estado não é um coisa positiva, por mais que eu deseje um.

Salgueiro Maia no centro

Sabem o que é ser rebelde, adolescentes do século XXI? A minha avó paterna era uma rebelde, ela fez parte dum partido que levou vários homens à presidência do seu país e foi professora no pós-guerra da Europa, numa altura em que mulheres ainda não eram bem aceites na política. A rebeldia no tempo dela era sobre ir para à guerra para impedir que os nazis dominassem o mundo, era sobre esconder judeus em anexos que escreveriam verdadeiras obras de rebeldia como a Anne Frack escreveu, era sobre ires para campos de concentração e morreres de inanição, febre tifoide, inalação de gás ou ainda queimado num formo ou enterrado vivo por seres contra o regime de Hitler, teres uma religião diferente ou seres homossexual. Era sobre salvar judeus que vinham pedir vistos a cônsules e passares mais de 30 000 vistos como Arístedes de Sousa Mendes passou. ilegalmente, indo contra as regras do próprio estado ou seres como Schindler e impedires 1200 pessoas morrerem em campos de concentração, gastando todas as tuas fortunas e arriscando a tua própria vida e carreira, sabes o que lhes aconteceu? Souda Mendes morreu na miséria e perdeu a sua prestigiada carreira de diplomático e Schindler caiu várias vezes na banca rota.

Anne Frank

Naquela altura, ser rebelde era sobre lutar pelo que acreditavas, arriscando a tua reputação, arriscando as tuas economias, arriscando a tua própria vida em pról de uma ideia. E ideias são perigosamente contagiáveis, pior que todas as pestes que varreram vidas na Europa medieval. Por isso, meus pequenos idiotas, quando vocês se embebedarem até entrarem em coma alcoólica, fumares erva ou seres mal educado com um adulto, não digas que és um rebelde, não te atrevas a pensa-lo quando não queres saber da política e economia do teu país, nem da maneira como as pessoas vivem na tua cidade

Jeanne D’Arc

Seres rebelde começa no momento em que nasce o teu espírito crítico, um espírito livre do que os outros pensam, começa por seres tu próprio por mais que te insultem ou te espanquem, fazeres as tuas escolhas e não jogares pelo seguro com medo de falhar. Se achas que és o maior por fumares drogas ou chegares à casa às seis da manhã, parabéns, não és um escravo graças aos rebeldes que lutaram pelos direitos das crianças e pela liberdade, não fazes puta ideia do que o mundo passou até a humanidade assinar a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Como evitar pessoas

Posted: December 28, 2012 in Uncategorized

És como eu que queres evitar pessoas chatas? Pior, pessoas chatas que pensam que são amigos? Ou que pensam que também sentimos o mesmo por eles(as)? Ou ainda, és como eu que tem pouco amigos e se contenta com isso e evita ter uma vida social ativa e prefere ficar em casa no tumblr, blogger ou a jogar C.A.? Não saias daí porque hoje eu vou mostrar-te as dicas essenciais para evitares pessoas chatas!

  1. Elas falam contigo pelo facebook? Bloqueia-as ou fica offline para elas, porque a janela do chat abre-se automaticamente quando eles te dizem “olá”, “oi” ou “hey” e a hora que tu viste o “olá”, “oi” ou “hey” fica registada no chat da outra pessoa. Portanto o melhor é evitar que essa pessoa possa falar para nós!
  2. Elas falam contigo por mensagens? Tens bastantes opções: Ficaste sem bateria e não encontraste o carregador, o teu cão comeu o teu telemóvel, não recebeste a mensagem ou o típico “Estou sem mensagens”
  3. Elas querem encontrar-se contigo? Diz que os teus pais não te deixam sair, diz que tens trabalhos para fazer, que estás doente ou que o teu irmão mais novo foi comido pelo urso do cleveland show
  4. Encontraste-as na rua por acaso? Foge imediatamente e grita “GRANAAAAAAADAAAAAAAA” e atira-te ao chão! 
  5. Tens de encontrar-te com ela? Senta-se ao lado de uma pessoa qualquer, mesmo que não a conheças desse meeting (ou mesmo que não haja um meenting, porque podes sempre escolher um desconhecido aleatório) e diz “Temos de ter uma conversa séria, isto não pode continuar assim” e quando a pessoa se aproximar diz em voz alta “Mas eu não te disse que devias ter acabado com ele(a)?!” com ar muito chateado e a pessoa vai-se afastar. Se a pessoa tentar falar contigo repete a técnica da granada!
  6. Trabalhas ou estudas com ela? Não largues o telefones, o livro ou seja qual for o teu material de trabalho e faz sempre um ar muito atento. Se a pessoa se aproximar de ti gritas “OLHA UM PÁSSARO MORTO A VOAR!” e empurra-la pela janela a baixo! Há grandes probalidades dessa pessoa não voltar a falar contigo por causa naturais ou éticas! 
Se estas dicas não funcionarem em vez de gritares “GRANAAAAAAADAAAAAAAA” tenta “bomba NUCLEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR”, ou então evita a pessoa simplesmente até que a pessoa entenda que não queremos falar com elas todo o tempo, ou que não queremos mesmo de forma alguma falar com elas  o que eu sei que não funciona muitas vezes, por isso a técnica da “GRANAAAAAAADAAAAAAAA” é mais eficaz. 

O consumismo em Portugal

Posted: December 24, 2012 in Contemporaneonissimo

Nota: Este post é para a blogagem coletiva do Christian, peço desculpa se fujo um pouco ao tema. Espero que este post seja compreensível para os brasileiros (o Chris e BC são brasileiros), porque não escrevi este post como se me dirigisse à portugueses mesmo se falar em “nós portugueses”, nem o escrevi a dirigir-me a brasileiros, eu dirijo-me ao mundo consumista em geral (eu não sei bem se a crise mundial afeta o Brasil, eu não fiz comparações, não no sentido do síndrome do coitadinho nem para dizer que os brasileiros são ricos porque eu sei que o Brasil é um país de extremos), apenas tentei ser compreensível na linguagem €uro, entre outros porque nas outras blogagens do Christian que participei a maioria das pessoas que me leram vivem do outro lado do Atlântico, e não podia escrever como se me dirigisse para tugas.

Na semana passada fui a um centro comercial, e gostava de vos dizer que havia consumismo, que as lojas estavam lotadas, que as pessoas estavam cheias de sacos. Mas não. O que eu vi foi muita gente a ver e poucas pessoas a comprar, como se fizessem uma seleção cuidadosa e tivessem o dinheiro contado. Como se tivessem aprendido a gerir as suas economias. Era isso, ou a banca rota.
Há dois anos atrás eu criticaria o consumismo no natal, e diria “ah vocês hipócritas dizem que estão em crise, estamos todos em crise, em vez de guardar o dinheiro, vocês gastam-no em coisas idiotas!”, e eu pensei que este ano seria o mesmo, mas a situação é trágica em Portugal! Em minha casa “só há presentes para o meu sobrinho”, e quando lhe fui comprar um brinquedo à Chicco (uma das maiores plataformas de produtos para a primeira infância que existe em Portugal, não sei se existe no Brasil) tinham descontos de 50%, a chicco, uma marca de prestigio e qualidade com brinquedos para bebés que em vez de custarem 12 euros, custavam 6 (o que é uma pechincha), e o pior, é que a campanha parece não ter funcionado, porque haviam poucas pessoas a comprar, em plena véspera de Natal, nada parece incentivar os portugueses a comprar.
Pelo menos o novo membro da minha família vai receber os seus primeiros brinquedos este natal porque eu acredito que há imensas crianças que não vão receber nada este Natal, sem contar com todas aquelas que não tem o que comer e terão de se alimentar das campanhas de solidariedade, e eu tenho sorte de ter tudo aquilo que preciso, porque mesmo quando há dificuldades e eu preciso de roupa, o meu pai arranja a maneira de me comprar camisolas compridas e casacos para o inverno e calções e t-shirts para o verão. E sei perfeitamente que é cada vez mais difícil para as famílias comprarem roupa e livros escolares para os seus filhos.

Os ministros que governam o meu país não sabem nada da vida, não tem o direito de nos dizer que 2013 será um ano difícil para toda a gente e que precisamos de união, não tem o mínimo de direito para nos dirigir uma palavra de esperança como se eles também passassem pelo que o povo passa, porque na ceia de Natal eles terão um peru recheado de kaviar, beberão o vinho mais caro à fase da terra e oferecerão prendas aos filhos e netos que compraram com o dinheiro que nos roubaram.
Irrita-me por toda esta situação que vivemos em Portugal, que haja consumismo excessivo e doentio noutros países, especialmente na época natalícia, porque nota-se que não sabem o valor do dinheiro. Posso parecer a minha mãe a falar, mas acreditem, quando estiverem numa crise, os impostos aumentarem o preço de tudo e o vosso dinheiro parecer evaporar, vão olhar para o dinheiro de uma forma diferente. As lojas que costumavam ir comprar roupa de repente se transformarão em lojas de luxo, as marcas brancas servirão perfeitamente para substituir um queijo philadelphia ou uma coca-cola – Coca-cola?! mas que coca-cola?! Só quando está a quase metade do preço é que se compra!
Sabem o que é que acontece em Inglaterra nesta altura do ano? Vocês saem à rua e vêm consolas de jogos à beira da estrada que ainda se usam porque saiu um novo software e o idiota inglês vai comprar uma nova consola, vão ver uma televisão LCD na rua porque saiu o novo modelo da Samsung, vão ver frigoríficos com um ano de uso porque o inglês viu um frigorífico com duas portas e apeteceu-lhe comprar! Expliquem-me, o extremo do consumismo inglês, quando eles sabem perfeitamente, ou deveriam saber, que também eles serão arrastados para a crise! Não faço ideia como é a situação noutros países ricos da Europa, mas eles estão a fechar os olhos e olham para Portugal, Espanha e Grécia como se fosse África. Ignorem o sangue derramado nas ruas de Atenas, ignorem Lisboa a arder, ignorem Madrid aos gritos. Consumam tudo o que virem à vossa frente, comprem comida que vão desperdiçar, comprem prendas que os vossos filhos irão guardar no armário e nunca mais irão ver, gastem centenas de euros ou dólares ou reais em coisas fúteis que nem valor sentimental tem, e o mais importante, lembrem-se de fazer um brinde e rezar à Deus para que a situação em Atenas melhore e todas as crianças portuguesas possam comer uma refeição quente, porque vocês são intocáveis e invencíveis até o dia que a desgraça vos bater à porta. Se se perguntam porque trago o caos de Atenas para a blogagem, só quero dar um aviso ao mundo, nós estamos em crise pelo efeito negativo do consumismo e maus investimentos. É hora de pagarmos as coisas que não soubemos dar valor antes.

Isto é Grécia, em Portugal a polícia é nossa amiga desde que não os tentemos matar, só não estão do nosso lado porque se isso acontece há um golpe de estado. Isto é Portugal:
E isto é Espanha:

Por outro lado, também gostaria de ver consumismo nas ruas da minha cidade, gostaria de ter entrado na Chicco e ter visto imensas crianças a exigir brinquedos, de ter ouvido bebés a chorar e ter ficado com dores de cabeças, de ter visto a roupa infantil toda desarrumada e mulheres a discutir por um body de bebé, gostava de ter visto as funcionárias atarefadas, de ter tido dificuldade em agarrar o brinquedo para o meu sobrinho e ter saído dali a pensar num post para criticar o consumismo em Portugal, porque seria sinal que as pessoas tinham dinheiro para gastar à grande e à francesa, mas não, aquela loja vai ter dificuldade em escoar os produtos e voltará a baixar os preços numa tentativa de vender algo.

Eu detesto “queixar-me” disto porque até o facto de descrever a situação da crise me faz sentir sufocada mas eu sinto que tenho de fazê-lo mesmo que ninguém me ouça e mesmo que eu própria me torne irritante para os outros. Não sei, é algo que não percebo em mim.
Desejo sorte a todo o mundo porque 2013 será um ano politico e economicamente difícil, tenham uma boa passagem de ano e um bom natal!

I know you say
Maybe some day
I need never be alone
I know I say
It’s the right way
But you’ll never be the one

I’ve been walking alone now
For a long long time
I don’t wanna hang out now
With the friends who just aren’t mine

Party to party
You’ve been looking
But your search will never end
You’ve been hanging
With the wrong crowd
You’ve got all the right friends

I’ve been walking alone now
For a long long time
I don’t wanna hang out now
With the friends who just aren’t mine

I don’t wanna be with you anymore
I just don’t want you anymore
I don’t wanna be with you anymore
I just don’t want you anymore

I don’t wanna be with you anymore
(I just don’t, I just don’t want you)
I just don’t want you anymore
(I just don’t, I just don’t, I just don’t want you)
I don’t wanna be with you anymore
(I just don’t, I just don’t, I just don’t want you)
I just don’t want you anymore

Ask.fm e as suas paneleirices

Posted: December 10, 2012 in Bipolaridades

Nota: Se não suportarem pessoas que abusam de asneiras quando se passam, olha fodasse.

Não bastava tanta gente idiota no Facebook, eles tinham de criar uma rede social onde pudessem julgar as pessoas a partir do facebook, chamar o tumblr ao barulho e ainda publicar as suas vida privada transformando-se em pequenas celebridades da cidade e arredores, típicos adolescentes populares. Essas vossas carinhas larocas não vos irão levar a lado nenhum, quero ver o quão longe vocês vão chegar.
São criaturas arrogantes que geralmente não suporto, tem uma autoestima demasiado elevada ou tentam armar-se em santos populares “porque são populares mas não querem e não fizeram nada para tal”, claro que não fizeram, então não.

Contextualizem-se: 

Eu já tinha ido ver ask.fm de colegas que tenho no FB, primeiro para ver como era aquilo, e outras vezes sabendo que era uma bosta, eu cliquei sem saber bem por quê (talvez por me enchem as atualizações com os links do ask.fm com frases como “Respondo a tudo”, “Falem comigo estou tão forever alone”, “Façam-me perguntas”, e depois uma pessoa vai ver e as respostas são secas, curtas e muitas vezes respondem mal. Oh amigos, vocês disseram “respondo a tudo” estavam à espera do quê?) e, por entre respostas e perguntas fúteis, descobri algo muito agradável, pessoas que enviam links com fotos de pessoas do FB a pedir para que as avaliem de 1 a 10 ou com frases tipo “Ai achas que a gaja é bonita?”, “Ai vês que ela tem um olho mais claro que o outro?”, “Ah achas que ela é feia?”. Eu fui pesquisar para ter a certeza que não eram casos isolados, e o mais incrível é que eu encontrei coisas piores que os meus print screans, só que não tenho paciência para voltar a fazer prints e a editá-los.
E onde entra o tumblr nisto tudo? É que os donos do ask.fm gostam de avaliar tumblrs. REGRA NÚMERO UM DO TUMBLR: Nunca publicar o link do teu tumblr numa rede social que possa poluir o tumblr, da última vez que isso aconteceu em massa surgiram os FDP dos “swags” com tumblrs populares todos iguais com a mania de terem 1000 followers. Isto não parece muito importante, mas é, e se vocês tiverem menos de 20 anos e tiverem uma conta do tumblr (e não forem do falso swag) entenderão que pessoas não populares refugiam-se no tumblr porque é no tumblr onde estão muito dos adolescentes que sofrem com os adolescentes populares, os “estranhos” como eu, os “satânicos” como eu, que ainda querem ser infantis por mais uns anos, que não saem todos os fins de semanas, seja como forem porque não posso generalizar, o tumblr é quase como o exército das pessoas da minha geração que ainda tem cérebro, uma “espécie protegida”, e irritam-me, e sei que não sou a única a pensar assim.

Há uma falta de autoestima imensa por aí, não que eu seja a pessoa com mais moral para falar em autoestima porque eu tenho graves problemas de autoestima, mas eu não ando a perguntar anonimamente as pessoas se me acham feia ou bonita porque isso não vai mudar nem a minha aparência física nem aumentar a minha autoestima danificada porque para eu mudar é necessário que seja eu a fazê-lo, soa cliché mas é verdade e aprendi da pior maneira, se eu confio nas pessoas que dizem que eu sou bonita automaticamente confio nas pessoas que dizem que feia eu volto a ficar mal, e não convém dependermos à opinião dos outros. E entristeci-me que pessoas mandem links de fotos suas a perguntar aos outros a opinião, e o pior são quando as pessoas mandam fotos de outras pessoas, não tem a noção do quão cruel podem ser? Vocês não conhecem as pessoas, podem ter maiores razões do que Inglaterra a ganhar a segunda guerra mundial, mas se vocês fazem isso só prova o quão covarde e inimigos fracos são, porque para além de meterem pessoas ao barulho que muitas vezes nem vos conhecem, dizem as coisas em anónimo. E que tal dizerem as coisas merdas na cara?

E sinceramente, esses populares podem ir todos cagar. Esses adolescentes a partilhar as suas vidas nas respostas e nas perguntas que vão para o CARALHO. Porque eu estou farta dessa santa hipocrisia e falsa honestidade, no fundo ninguém quer saber entendem? As pessoas só vos fazem perguntas porque vocês pedem esmola e porque vocês fazem perguntas aos outros, e muitas das vezes só vos fazem perguntas para vos chatearem e para quererem saber mais da vossa vida e assim puderem magoar-vos ainda mais. Vocês próprios publicam a vossa vida num perfil público com a vossa verdadeira identidade e depois queixam-se, acordem, a vossa vida não é uma novela brasileira nem a casa dos segredos, se bem que as pessoas acabam por rir-se de vocês e servir-se da vossa existência como um entretenimento de fraca qualidade!
E depois, há gentinha que me chama de forever alone, sabem o que é ser forever alone? É aquela gentinha como vocês que tem medo de ficar sozinhos numa mesa porque o colega do lado está a faltar, gente que partilha os links do ask.fm e tumblr no facebook constantemente para ganhar seguidores (o melhor são aqueles que ainda põe uma frase com o link como “Estou tão forever alone”, “Toda a gente saiu hoje e eu aqui sozinho(a)”, nada irónico meus amigos 🙂 ). Sabem o que é mostrar parte fraca? Não é serem anti-sociais como eu, é pedirem todos os santos dias no FB que vos façam perguntas, mas é que pedem da maneira mais frágil, fazem-no para todo o mundo ver, até me meteria dó se não fosse o nojo que sinto por vocês.
Vão cagar, é tudo o que eu tenho a dizer, vocês não me conhecem, não sabem pelo que eu passei e não sabem do que eu sou capaz. Daqui a uns anos a gente já fala.

Eu tenho sorte de não estar já a fazer a fila no banco alimentar. Quando penso nisso, penso que quem tem com que pagar para comer em Portugal, Grécia e Espanha tem sorte, esta sorte não é uma sorte fácil e longínqua como a fome na África, esta sorte é dita e sentida no seu significado mais pleno, é quase como se estivéssemos num campo de batalha e sabemos que a próxima bomba lançada ou bala disparada pode atingir-nos, e sentimo-nos com sorte por estarmos vivos, parece que quantas mais pessoas feridas e prejudicadas na batalha, as estatísticas contra nós aumentam, e nos sentimo-nos com sorte por ainda estarmos vivos porque podemos ser os próximos a cair na miséria, e a frase torna-se mais sólida com o tempo. Sinto-me como a Katniss nos jogos da fome, entram vinte-e-quatro e só sai um da arena, pode acontecer a qualquer um, os nossos lideres colocaram-nos nestas situações sangrentas e, a final, somos todos iguais e temos todos o mesmo objetivo: sobreviver ao caos. Vemos o que é ter sorte com outros olhos, parece que as coisas que só aconteciam aos outros nos começam a acontecer a nós. Já vejo tanta falta de humanidade nesta Europa que está a lançar-se aos leões.

Eu não ouço falar da crise mundial, europeia e portuguesa todos os dias, eu vivo-a, todos os dias desde 2011 eu acordo para viver esta crise quando nos prometeram melhorias para 2013, hoje, sabemos que não,  eu realmente nem me preocupo com uma melhoria, eu preocupo-me em primeiro lugar com a estabilização. Aumentem as exportações, aumentem a produtividade, apostem na agricultura e no mar, apostem nas engenharias, proíbam as greves que aumentam a dívida se for preciso. Ou abdicam de um pouco ou esta nau vai afundar-se, eu não posso fazer nada, sou apenas uma miúda, apenas deixo o conselho, porque se for para falarmos de direitos humanos, eu posso começar pela parte em que eu vou pagar uma dívida que não devo, pelos lanches que eu deixo de comer para poder almoçar ou ter dinheiro para o autocarro porque não quero pedir mais dinheiro aos meus pais, as minhas poupanças desde que nasci que tive de emprestar aos meus pais ou gastar, a bolsa que eu não sei se vou ter, os doze anos que ando a fazer quando há ministros que tem equivalências sem estudar. Se estivesse no poder eu despedia todos esses parasitas que recebem mais de 3000 euros por mês e fazem greve, exilava-os até, porque amigos, estamos em crise, e se queremos manter a democracia se calhar era melhor colaborarmos um pouco uns com os outros.
Colaborar. É aí onde quero chegar. Caridade deixou de ser caridade, horas extras deixaram de ser horas extras, partilha deixou de ser partilha, empréstimo deixou de ser empréstimo, para mim tudo o que implique ajudar outras pessoas é o verbo colaborar, colaborar é urgente, mesmo que nos custe um pouco. E eu lembrei-me dalgo que nunca tinha feito parte da minha realidade, apercebi-me que o Natal não era sobre muitas prendas e nem sobre Jesus sequer, não para mim, o que o Natal realmente significa é sermos felizes durante dois dias e tentar fazer os outros felizes, esquecermos esta situação que vivemos por um pouquinho, é oferecer algo a alguém que precisa, ajudar o outro, é aqui que eu peço coisas como meias térmicas e no máximo livros, porque eu não preciso de um iPhone, eu preciso de meias térmicas. Ou pensam que só os sem abrigos precisam de algo que só nós podemos dar? Ofereçam coisas úteis aos vossos amigos e familiares, e sintam-se agradecidos por receber roupa no Natal, não vale a pena serem muito esquisitos a estas alturas, é só uma crise e vão ter de sobreviver ao Inverno.
Nós precisamos do Natal este ano, no ano passado fez-nos bem, precisamos de trazer de volta os antigos valores familiares, de chocolate quente e de um cobertor, de músicas natalícias que nos ponham bem dispostos e de colaborarmos uns com os outros, porque até que os países ricos não aceitem que também eles vão ser afetados com este vendaval e que a crise é mundial, ninguém vai ter pernas para andar. Será um pedido demasiado irrealista para fazer ao pai natal?