Repitam comigo: Não vou baixar a cabeça quando esses retardados falarem!

Posted: November 24, 2012 in Bipolaridades, Contemporaneonissimo

Eu não sou nenhuma santa e admito que já fui uma verdadeira cabra com algumas pessoas, e quando digo que já fui uma verdadeira cabra estou a querer dizer que já fui nalgumas situações uma mean girl, já gozei com pessoas nas costas, já disse que uma rapariga era feia, já me ri em situações que deveria ter ficado de boca calada e nalguns momentos já cheguei a ter uma auto-estima demasiada elevada, e é esse um dos temas que eu quero falar neste post, a auto-estima demasiado elevada das pessoas ou demasiado danificada.

Entre pessoas como eu que sabem admitir que a raça humana está recheada de terríveis defeitos e Deus nosso senhor nos abençoou com uma terrível habilidade para falhar e errar que quase parece uma arte, e pessoas que não sabem admitir quando são más e o pior, ainda acham que é fixe cometer erros com as outras pessoas, há uma grande distância.
Ao longo da minha vida fui-me cruzando com este tipo de pessoas, ou melhor, crianças que não eram e não são crianças nenhumas, que sempre gostaram de me fazer sentir mal comigo própria, sempre me deitaram à cara que eu era feia, que eu era burra, que eu não era o suficientemente boa em nada. Desde ao rapaz que me deu um murro no estômago à rapariga que me disse que eu não prestava a jogar basket e me fez esconder de baixo de uma bancada a chorar, desde o rapaz que me insultou e eu perdi a paciência e quase lhe bati à rapariga que dizia que eu era louca, entre outros. 
O meu verdadeiro problema foi eu ter onze anos na altura em que o bullying começou, eu não sabia que eles não tinham razão, eu não sabia que no futuro haveriam adultos a dizer que tinha uma inteligência fora do comum e que de vez em quando surgiriam rapazes que diriam que eu era bonita e que me trariam problemas. Eu não sei porque é que eu era a rapariga deixada sozinha nos corredores, porque quando penso na rapariga popular da minha turma, a verdade é que ela era uma feiosa e mesmo assim ela tinha os rapazes garantidos incluindo o rapaz que eu gostava. E, estas filosofias não me fizeram bem porque eu comecei a pensar que era gorda porque não era uma magricelas, que era burra por ser má a matemática, que era feia por não usar roupas de marca e de moda, que nunca jogaria bem basket como outras raparigas, que eu era demasiado alta, que eu nunca teria um namorado, etc, etc. 
É triste porque as crianças deveriam ser inocentes, não deveriam fazer sentir mal as outras crianças, a culpa é delas? Sim e não. A culpa é delas porque se eu me apercebia com essa idade que quando batia num animal podia chegar a matá-lo e que quando chamava nomes a outra criança ela choraria, então eu não deveria fazê-lo, porque eram coisas tristes. Por outro lado a culpa não é delas porque não foram elas que criaram os concursos de beleza, as revistas cor-de-rosa, as celebridades e muito menos as modas que atingem massas e os padrões de inteligência, elas eram e são vítimas dalgo que os adultos controlam, os adultos tem culpa do bullying, foram eles que criaram sem criar seres tão cruéis.
Ainda hoje no secundário sou uma rejeitada, não como era quando era garota mas sou, e às vezes os fantasmas dos corredores do meu antigo colégio me perseguem e me batem e insultam no corredor de cacifos até que eu desista de correr e caia no chão e chore e me sinta como há cinco anos. Não sou eu que choro, é uma menina de doze anos que acha que eles tem razão e se esquece dos momentos nos quais foi valorizada.
Sim, hoje é diferente, eu sei ler a personalidade dos que me odeiam, as pessoas que me querem atingir tem problemas de autoestima, sofrem de daddy issues, são raparigas que tem problemas com elas próprias e como toda a gente (engraçado, algumas são umas verdadeiras feiosas e a personalidade não as ajuda), hoje eu sei que não sou a única porque conheço muita gente que é como eu, sabem, os populares pensam que todo o mundo os ama mas é mentira, eles vivem nessa podre ilusão, devíamos ter pena deles porque nós somos normais, é normal que hajam pessoas que nos querem fazer sentir mal, eles tem um nariz demasiado empinado, são uns pobres coitados que em vez de investirem neles próprios insultam qualquer pessoa que seja diferente, qualquer pessoa desde que cumpra um ou mais dos seguintes critérios:
  • Veste roupa diferente
  • É um pouco mais inteligente que o normal
  • Tem um sotaque diferente
  • Parece mais novo ou mais velho para a idade
  • É demasiado bonita
  • Não é tão atraente como as outras raparigas
  • É swag
  • Não é swag
  • É bom(boa) nalguma coisa – pelo que deve-se dizer que tem a mania e que acha que é mais do que os outros por ter algum talento
  • É má nalguma coisa – É má nalguma coisa? É burro, inútil, estúpido, não sabe nada!
  • Faz vídeos para o Youtube – Mais uma vez é uma pessoa que acha que é mais do que os outros e que quer aparecer
  • Não sai à noite todos os fins de semana
  • É puta – Puta é uma rapariga que tenha tido vários namorados ou que não goste de compromisso e se fique pelas curtes, é bom lembrar que um rapaz que se fique por curtes deve ser honrado e não criticado, ou pelo menos não digas nada porque sabes bem que é normal 
  • É virgem – Virgem é qualquer pessoa que não tem um histórico público de relações (se as pessoas acham que aquela pessoa nunca teve um namorado(a), então essa pessoa nunca teve um namorado(a) ), mesmo que já tenha tido relações sexuais se essa pessoa não fizer entender aos populares que sabe dar um beijo, então essa pessoa nunca deu um beijo
  • Corta os pulsos – Se é uma pessoa que corta os pulsos e nós não sabemos nadinha da vida dela é óbvio que é uma pessoa com problemas psicológicos que se está a armar em coitadinha! Gozemos com essa pessoa porque é errado cortar os pulsos, não é ao tentar compreendê-la que a haveremos de ajudar!
E se as pessoas cometem suicídio depois de anos de gozarmos com eles e de lhe batermos, o que dizemos? 
         -Oh, não acredito! Gostávamos tanto dele(a)! Tinha tanto talento, era tão bonita, era um modelo a seguir! Como foi capaz? A culpa é da sociedade! 
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Comments
  1. Grande Post 🙂

    Victoria, gostei tanto deste teu post que te vou sugerir uma coisa. Se não aceitares, não tem problema nenhum, claro. Tudo como antes.

    Sei bem que o bullying é o tema central do teu post, mas como também tem bastante de feminismo, queria perguntar-te se gostavas de coloca-lo (ou uma parte dele) no Diário das “Fêmeas”. Quero tentar que se torne cada vez mais um espaço de denúncia directa, relatos de experiências na primeira pessoa ou até simplesmente opiniões (e não “depender” tanto das notícias dos media, que, quer queiramos quer não, acabam por ser sempre mediadas ). Que te parece?

  2. Boneca de Trapos,

    Ya é na boa, podes escolher a parte do texto que queres publicar ou tudo na sua integra, isso já é a tua escolha :), apesar de não me considerar feminista sei bem por experiência própria a disparidade entre os homens e mulheres que começa já desde pequeninos e que vai afetando as garotas e os garotos, depende do assunto, do que eu passei são mais as meninas, as coisas que nos exigem é simplesmente demais.
    O bullying (no meu caso) esteve bem relacionado com as diferenças do sexo, por isso está a vontade 🙂

  3. FireHead says:

    Nos meus tempos o bullying ainda não era um caso sério como é hoje em dia. Eu próprio também sofri um pouco de bullying porque desde a primária sempre fui um puto muito dócil, amigo dos amigos e que nunca fazia mal a ninguém. Levei esse “status” para o ciclo (no meu tempo o 5º e o 6º anos eram o ciclo e o 7º, 8º e 9º anos eram o unificado) e foi assim que me tornei numa presa fácil para os meus colegas fanfarrões e armadões. Comia e calava muitas vezes, e muitas outras vezes comia por tabela, até ao dia em que explodi e enfrentei um dos meus bullies de estimação, que hoje é um amigo meu, desferindo-lhe uma pazada no peito que o espetou no chão a olhar para mim com cara de espanto enquanto lhe faltava o ar e eu a pensar para mim próprio “pronto, já fiz merda, ele ainda vai morrer”. A partir daí parece que começaram todos a olhar para mim com outros olhos.

    No secundário, como já era noutra escola, decidi entrar logo a matar. De inocentinho coitadinho virei rufia, cabelo pintado de amarelo, corrente agarrada à carteira, muita roupa preta, óculos de sol, asneiras para cá e palavrões para lá, estilo e tal… chegaram até a pensar que eu andava naquelas seitas típicas lá de Macau, dos rufias. Foi um volte-face na minha vida de estudante, passei de presa a predador, mas nunca me meti com ninguém, limitei-me apenas à aparência assustadora e que metia respeito.

    Hoje em dia olho para a juventude e confesso que fico preocupado com a enormíssima falta de valores, entre eles a dignidade, o respeito e o espírito de camaradagem. Que raio de homens de futuro nós teremos? Se nós hoje, os adultos em idade activa, já estamos como estamos, que esperar da geração que vem a seguir?

    Lol, permite-me um reparo. Uma puta pelo menos recebe por sexo. Se calhar querias dizer vaca, não? Uma vaca é que vai com todos. 🙂

    Em relação aos restantes critérios de popularidade, ainda bem que eu sempre fui do contra… poucos mas bons, diz o ditado. A maioria é como uma manada, se o objectivo for atirar-se da ponte abaixo, a manada atira-se da ponte abaixo…

  4. Muito bom post, Victoria! O que mais me dá gozo ver são as pessoas que me faziam ver que eu era uma valente porcaria estarem a passar por aquilo que eu passei com elas. Sou maldosa, sim. Quando vejo injustiça, intervenho, mas com essas pessoas não. Eu passei por um longo período de escuridão que só desapareceu há pouco mais de 3 anos. Passei a “partir a louça toda”, mostrar que eu é que decidia o que queria e que ninguém tinha de se meter comigo ou na minha vida. Muitos, nessa altura, chamaram-me de cabra e até nomes piores por ter mudado. Bem, eu fartei-me e revoltei-me e hoje, vejo as pessoas que me gozaram a ficarem cada vez mais no degredo e eu a “levantar-me”. Não tenho a mínima pena delas. Só estão a ter aquilo que merecem. Portanto, Victoria, nunca te sintas mal da pessoa que és e da maneira como pareces porque tudo é muito subjetivo porque essas pessoas só querem ter uma forma de esquecerem o quão escroques são. 🙂
    Obrigada por me teres chamado anormal fixe HAHAHAHAHA XD As músicas são dos Muse a Isolated System e a Virgin dos Manchester Orchestra 😉 beijinho!

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