É uma questão de direitos

Posted: November 14, 2012 in Bipolaridades, Contemporaneonissimo

Se calhar alguns de vocês lembram-se do post que eu fiz sobre aquela vez que telefonei aos bombeiros, numa altura em que uma rapariga da minha turma tinha ataques de pânico constantemente. Este ano há uma situação parecida, mas que eu não estava habituada. Desmaios. São horríveis, quer dizer, a maneira que as pessoas perdem o equilíbrio parece que caem mortas.
Esta rapariga que desmaiou não desmaiou uma única vez, é a terceira vez que a vejo a desmaiar, e não estou a contar com todas as vezes que ela desmaia e eu não estou lá para ver. Ontem, ela desmaiou na aula e perdeu a força no pescoço deixando cair a cabeça para trás, o meu único pensamento foi agarrem-lhe o pescoço e a cabeça!, porque é isso que eu fazia ao meu sobrinho há umas semanas atrás (antes de ele começar a ter alguma força) por ser um bebé e não ter força suficiente e poder partir o pescoço.
Eu e a minha colega de mesa que estávamos atrás dela afastamos as nossas mesas e rapidamente apareceram dois rapazes para a poder deitar, depois eu e um rapaz fomos abrir as janelas e duas pessoas saíram para buscar um copo de água com açúcar e uma funcionária, tudo sem pânico, toda a gente calma, menos a professora (por isso já sabem, a minha turma está bem preparada para a evacuação do fim do mundo). Depois à tarde quando subi as escadas vi uma multidão e lá estava ela deitada no chão, de novo.
Hoje, no meio da aula de geografia, ela voltou a desmaiar. A cabeça dela caiu de rompante na mesa quando ela perdeu o equilíbrio. O procedimento que fizemos ontem foi repetido, mas desta vez fui eu a correr à procura duma funcionária porque estava mais perto da porta. Corro e vejo se há alguém no sítio onde é suposto estar uma funcionária, chamo, digo em voz alta a minha colega desmaiou, preciso de uma funcionária ninguém me responde, volto a correr, não vejo ninguém, vou a sala de professores onde ninguém me pode ajudar, vou ao bar e finalmente há alguma funcionária que me diz quem chamar.
Volto revoltada para a sala, insultando mentalmente as velhas que deveriam estar no sítio delas, que deveriam limpar as salas, que deveriam ser menos antipáticas, que deveriam fazer alguma coisa mas não fazem coisa nenhuma. E só depois é que me lembrei. A greve.

Isso, exijam os vossos direitos enquanto esta rapariga pode morrer pela falta de competência e de funcionárias, porque se houvesse uma funcionária naquele corredor, tudo teria sido mais rápido, sabe-se lá o que ela tem (aqui já nem vou falar da falta de competência do nosso sistema de saúde). Palmas aos que exigem os seus direitos! Palmas! Mesmo que isso tire o direito à vida duma jovem, mesmo que isso seja um gasto que eu tenha de vir a pagar enquanto vocês estiverem dois metros de baixo da terra. Então não vivemos numa democracia? Cada um faz o que quer.

PS: Eu sei perfeitamente que as funcionárias da minha escola não ganham 3000 mil euros por mês, mas uma parte bem significativa das pessoas que fazem greve são capazes de ganhar por volta disso
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Comments
  1. Ainda bem que já tens consciência de que as greves nunca auguram nada de bom. É só para atrasar ainda mais o país, para ir destruindo-o aos poucos. É para isso que existe a CGTP, o Bloco de Esquerda, o PCP e outros parasitas de esquerda.

    Tenho quase a certeza que nos noticiários só entrevistarão aqueles coitadinhos e pacíficos manifestantes afugentados pela polícia, pois já sabemos como é a nossa comunicação social, um cancro social e parcial, uma vergonha nacional idêntica a certos manifestantes que têm o prazer de vandalizar tudo o que é público. Hoje ao contrário do que muitos pretendiam, após as imagens que vi, em vez de sentir orgulho, senti foi vergonha de ser português.

  2. Martini, exato, eu sei como é que os midia deste país funciona, um bando de corruptos que não dizem a verdade e que pensam que os 9 milhões vivem todos em Lisboa e os outros 1 milhão vivem no Porto.

  3. FireHead says:

    E depois existem países super desenvolvidos como a Singapura onde a greve é proibida. Falem de democracia com esses gajos que eles respondem-lhes com o elevado nível de vida e eficiência nos serviços que têm.

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