Archive for October, 2012

Blogagem coletiva do Christian 
*Sujeito a alterações futuras pois escrevi isto a pressa

Se calhar já ouviram a história que vos vou contar. É das poucas lendas lusitanas urbanas que temos, porque nós nesta cidade e neste país vivemos rodeados de santos, de princesas e réis, e é raro ouvir lendas sobre fantasmas, mulheres de vestido branco e crianças a chorar em quadros.
Esta história é sobre uma mulher de vestido branco que dizem que morreu em Sintra, numa estrada e o seu espírito lá ficou. Muitos afirmam que a viram mas tiveram sorte porque não pararam e não lhe deram boleia, diz-se que ela deu indicações a um casal britânico  e que depois os matou, outras versões dizem que ela não os matou. Mas a história mais conhecida é aquela que vou contar.
Numa noite como todas as outras para a maioria do mundo, um grupo de amigos ia num carro numa estrada em Sintra a caminho dalgum lado que nunca chegariam quando um dos rapazes se apercebeu que havia alguém a beira da estrada, a rapariga ao lado do condutor disse “tás parvo?! Continua!” mas ele ignorou-a e decidiu parar. A rapariga entrou no carro como uma figura perturbante e misteriosa,  e perguntaram-lhe o que estava ali a fazer no meio da noite, ela não respondeu, perguntaram-lhe se ela queria ou precisava dalguma coisa, ela disse que não, perguntaram-lhe o seu nome e ela disse que se chamava Teresa. A viagem continuou, algo constrangedora, e a certa altura, Teresa levanta a mão e aponta “Estão a ver? Ali ao fundo? Foi ali que eu tive o acidente e morri”. As caras dos jovens foram inundadas pela dúvida e depois pelo horror, e o carro, capotou. Investigações revelaram, que em 1983, ali mesmo uma rapariga de nome Teresa Fidalgo morrera naquela estrada.
A história começou a circular na web por causa dum vídeo. Uns diziam que era um vídeo recuperado do acidente, outros diziam que era apenas uma curta metragem a retratar a história dos jovens que morreram no acidente, outros diziam que era apenas uma curta metragem. Durante muito tempo nunca se soube quem exatamente tinha colocado o vídeo online, houve uma grande polémica, o mundo inteiro estava a comentar o caso da dama de branco portuguesa, até que certa altura surgiu uma pessoa a declarar os direitos do vídeo, o autor, David Rebordão, admitiu que era apenas uma curta-metragem.
Mas mesmo assim, o mistério continua porque quem conta um conto acrescenta um ponto, e Teresa acabou por ganhar um lugar nas lendas do país e assustar crianças como eu fui, e quando andamos em estradas escuras, há quem diga que a Teresa vai aparecer, para se vingar em inocentes da sua morte prematura.*

Ps: Há a versão chunga em que ela vai se vai deitar contigo se não reencaminhares o e-mail mas isso é demasiado labrego e idiota

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Opa luso style!

Posted: October 30, 2012 in Contemporaneonissimo

São filhos de lusos com nomes norte-americanos mas os seus apelidos são portugueses, chamam-se Portuguese Kids e são um grupo de comédia que decidiram retratar o lado mais épico de crescer numa família portuguesa.
Açores e a Madeira ganham destaque no canal deles como hão de reparar nos vídeos, pelo menos Lisboa não é a protagonista pela primeira vez haha, tomaa!.
Vejam majé.

Lusitanos, desde 1500* a navegar pelo mundo e a espalhar a cultura portuguesa. Fuck yeah! 
*Possivelmente antes, eu sei

Jogo do mata (alguém me mate)

Posted: October 9, 2012 in Bipolaridades

As minhas aulas de educação física mudaram. Agora como o professor mudou, fazemos educação física. E temos corrido a sério e feito exercícios de andebol com um joguinho, não o jogo a sério, mas uma brincadeira, na última meia hora. Hoje foi o jogo do mata, que costumava jogar em miúda e não me lembrava bem de como se jogava, mas a teoria não demorou a surgir quando o jogo começou.
Lá conseguia agarrar a bola de vez em quando, preocupava-me mais em esquivar-me para não ser “morta” e ir para o piolho, quando de repente vejo um rapaz mesmo à minha frente com a bola e vejo-a a ser projectada contra mim, a minha reacção foi atirar-me ao chão porque não tinha tempo para mais nada. Caí de joelhos, ouvi gritos de parabéns e suspiros de admiração de parte da equipa e dos adversários. Doem-me os joelhos ainda, não os esfolei, mas uma queda directa de joelhos contra o chão não é propriamente agradável.
Quando cheguei ao balneário uma das minhas colegas disse “Oh Vicki porque te atiraste para o chão? Isso é algo que os rapazes fazem, andam sempre aos pulos”.
Melhor queda de sempre sem dúvida, tenho orgulho de ter os joelhos vermelhos.

Eu lembro-me, no 25 de Abril deste ano, que no twitter os portugueses estavam todos revoltados porque os brasileiros andavam a interpretar o 25 de Abril como o dia do concerto dos One Direction e estavam todos vermelhinhos a insultar os brasileiros, a chamá-los uns ignorantes, e que deveriam saber que era o dia do fim da ditadura em Portugal porque era algo muito importante, ora, esta é mais ou menos a reacção que eu tenho por dentro de cada vez que portugueses fazem comentário e comparações absurdas sobre o que é a Venezuela mas tive de ser mais tolerante e paciente. Sim Victória porque raio te deu para falar disso tu nunca falas da Venezuela e agora meia volta lembras-te que és venezuelana também, não se preocupem eu também penso o mesmo.
Quando digo portugueses não digo os 10 milhões mais todos aqueles que andam por aí mundo fora, dirijo-me a aqueles portugueses que não sabem o que é a Venezuela e falam como se conhecessem o estado daquele país. Aposto que um terço deles ainda dizem que fica na África.
É assim caros patriotas ou nem tanto, vocês não sabem o que é a Venezuela até passarem uma semana em Caracas, com água cortada, com um presidente a fazer tempo de antena todas as semanas, com tiroteios e com comida que é tipo racionada. Vocês percebem um pouco melhor o que é a crise agora que há crise a sério, mas não me venham foder a cabeça com:

  • “Ai em Portugal também é o mesmo”
  • “Ai mas a rainha de Inglaterra também não permite que a insultem”
  • “Ai mas isso não é nada de especial”
  • “Ai mas morrem pessoas todos os dias”
  • “Ai mas é mentira porque no jornal e na net eu vi que a Venezuela tem um enorme índice de desenvolvimento”
  • “Ai mas é mentira porque a avó do Márcio disse que estavam a chuver chouriças”

Eu vou espancar a próxima pessoa que fizer um comentário ou comparação desse tipo, porque só pode dizer como as coisas realmente são as pessoas que realmente sabem como as coisas são, há muita contra informação, mesmo muita, por isso, eu deveria perdoar-vos, mas uma pessoa perde a paciência a fim de 14 anos de ditadura sabem? Já tinham tempo de ter feito pesquisas, de terem ido ver vídeos do Chavez a falar, de tirarem algumas conclusões, de terem falado com outras gentes porque luso-venezuelanos é o que não faltam, basta irem a uma padaria ao dobrar da esquina. Se sabem tanto sobre o assunto.
É que nem vale a pena discutir porque este conjunto de portugueses não vai entender e vai responder da maneira mais estúpida possível e fazem a comparação mais idiota de sempre,  fazem o favor e calam a boca, tenham muito cuidadinho com o que dizem porque as coisas que já ouvi equivalem a:

  • Salazar da Oliveira foi o primeiro rei de Portugal
  • Em Portugal as pessoas não sabem o que é a cera depilatória e todos usam um bigodinho
  • Em Portugal a crise não é nada grave, é mentira dizer que os jovens tem dificuldade em arranjar emprego, é algo absurdo, a vida em Portugal é como na Alemanha
  • O governo português é amado por pelo menos 80 por cento dos seus cidadãos, e nos últimos anos a qualidade de vida tem vindo a aumentar explosivamente
  • Sócrates foi sem dúvida o melhor ministro de Portugal e ele deverá ser exemplo para todos os seus sucessores mas jamais haverá um tão bom como ele
  • A avó do Márcio jamais disse que estavam a chuver chouriças e o Hélio nunca caiu do skate dele
Gostariam de andar a ouvir isto sempre que tentassem falar da dificuldade que a troika e a crise trouxeram? Ah bem me parecia. Lembrem-se da situação que descrevi no início do post e vão entender-me melhor um bocadinho, e antes de fazerem algum tipo de comparação, investiguem, porque vocês não sabem se eu não trabalho para o governo e este post é para vos enganar.  

14 anos

Posted: October 5, 2012 in Contemporaneonissimo

Desde que tenho dois anos. Desde que tenho dois anos, sabe? Pouco tempo depois de eu ter começado a ver o real, a criar as memórias mais antigas, aí você estava, com uma arma na mão e milhões de mentiras na boca, pronto para destruir-me a mim e milhões de pessoas. E lamento-me por dizer que conseguiu em parte,  porque eu não sei nada da história do país que eu nasci, eu só sei falar espanhol porque o resto da minha família fala, eu não sei o hino, eu não sei os estados ou cidades, eu não sei ao certo as fronteiras que faz, e o mais incrível, é que eu estou a escrever este texto em português porque não conseguiria desenvolve-lo em espanhol da maneira como vou desenvolver, Bolivar teria vergonha, eu sei que ele teria vergonha de mim, eu penso em português que é a língua do país que me salvou dum futuro alternativo que teria sido sangue, crianças deixadas para trás e o meu corpo no chão violado e inerte, sem vida, sem futuro.
Mas o futuro é só uma ideia, uma projecção, o futuro não existe, nunca existiu, nem nunca existirá, o que eu procuro é por um sonho louco, por um espírito que acredite mais, porque eu quase que sou uma ateu involuntária em tantos assuntos, incluindo Deus. Ontem uma das pessoas mais loucas que conheço leu-me a aura (coisa de loucos, não?) e ele disse-me qualquer coisa que era pouco iluminada, que tinha assim uma energia muito fraca, que eu não acreditava em muita coisa, acho que disse que a cor era cinza. Pode ser que me estivesse a iludir com mais uma das suas teorias loucas que adoro ouvir, ou pode ser que ele tivesse visto a minha aura mesmo, mas seja como for, ele tem razão, eu tenho-me sentido envolta num véu cinzento na minha vida nos últimos meses, especialmente nestas últimas semanas.
Mas ilude-se a criatura que pensar que eu perdi velocidade ou resistência, eu continuo na corrida, eu estou mais forte, mais rápida e esperta que nunca, eu sou jovem e digo não todos os dias ao Deus da morte. Eu aprendi a criticar, eu aprendi a investigar, eu tenho a verdade aqui, dentro de mim, e continuo viva, eu aprendi a lutar contra o que me tenta destruir, eu aprendi a recuperar algo que considerei perdido para sempre, eu aprendi que não podia esquecer as minhas raízes porque são elas que fazem o troncos, os ramos e as folhas reais, eu aprendi muita coisa desde que estive fora, yo volvi a hablar español y en poco tiempo volvere a tener mi acento original.
14 anos. Passaram 14 anos e aprendi tanta coisa. Iria surpreender-se com tudo aquilo que eu aprendi. Eu aprendi a paz, eu aprendi a democracia, eu aprendi o ódio, eu aprendi a ditadura, eu aprendi a tolerância, eu aprendi a crise, eu aprendi a autenticidade, eu aprendi palavras como Wabi-sabi e Wanderlust, expressões como Carpe Diem e Memento Mori, eu aprendi o amor e todo o seu conteúdo agridoce, eu aprendi a amizade e o seu valor e alto custo, eu aprendi a música e a senti-la com todo o meu corpo e a reproduzi-la eu própria, eu aprendi noites em branco e doze horas de sonos, eu aprendi os romanos e os gregos, eu aprendi a Internet e as SMS às 4 da manhã. Eu aprendi a não ter medo de enfrentar as pessoas que você conseguiu influenciar e dizer-lhes o que pensava, mesmo sentindo o perigo e toda a opressão irracional, eu aprendi o suficiente para argumentar e contra argumentar, contra si, contra tudo aquilo que você representa, e não preciso do insultar porque a justiça e a verdade está do meu lado. Basta pensar que você alterou a constituição para ser presidente durante o tempo que quisesse, e olhe para si, está a morrer e não o consegue admitir.
Eu vou voltar um dia, eu garanto-lhe que vou e vou ver paz, estabilidade e esse sonho louco. Dalguma maneira ou da outra continua a ser o país em que nasci. Você esquece-se que eu sou jovem, que enquanto você estiver debaixo de terra, nos teremos ainda hipóteses de ter muitas festas para ir, crianças para inspirar e projectos para completar. O mundo continua senhor presidente Hugo Chavez, você há de morrer e sete eras de ouro hão de vir.

Esta é a bandeira de Portugal. Ao contrário. O que significa um pedido de socorro internacional. Que giro. O país está mesmo as avessas. Ó’ só para a cara de Oh meu Deus duns quantos dali, especialmente do homem à esquerda, parece que está quase a chorar. Chorem, chorem, que quanto mais choram, menos mijam.