Labreguice – Balneários fazem-me desejar viver no século XIV com aquelas condições de falta de higiene que diminuíam a esperança de vida para os 30 anos

Posted: September 26, 2012 in Bipolaridades, Contemporaneonissimo

Quando me refiro a uma pessoa como labrega, não quero dizer um agricultor ou uma pessoa rústica, porque eu tenho uma veia rural e outra urbana, estou habituada a perder-me em pinhais, a passeios de bicicleta por terra batida, a coisas que considero óbvias como quando é que é o tempo de uma fruta qualquer ou a maré da ria, como também estou habituada a perder-me em grandes cidades do mundo, à viagens de avião e a comer fast food, e irrito-me tanto com gente labrega como com gente que não sabe que o leite vem das vacas.
O conceito de labreguice refere-se a gente sem classe, a gente sem educação, sem a mínima lógica, gente que fala de assuntos íntimos para todo o mundo ouvir, uma coisa é eu estar a passear na rua com os meus melhores amigos a falar de pilas e mamas e alguém aleatório apanhar a palavra sexo e ficar a olhar para mim traumatizada (geralmente é algo muito mau), outra coisa é falar com essa pessoa aleatória sobre pilas e mamas e para os seus acompanhantes aleatórios ouvirem, com toda a intenção do mundo, como quem fala que o Romney não pode ser presidente ou que o Coelho é mais um filho da puta. Entendem a diferença?

Labreguice é o que não falta por estas zonas, eu suporto gente um bocado ignorante porque ninguém é obrigado a saber tudo, eu suporto muita gente mesmo que não pareça, eu suporto. O que estou cada vez mais farta é esta labreguice, é raparigas começarem a falar do corrimento e de que tinham de ir a casa de banho porque o corrimento delas era assim e assado, e que tinham tomado banho mas que cheiravam a raposinho porque não sei que das não sei quantas, e eu a frente delas na aula de EF a ouvir tudo, digo, a rapariga a falar para toda a gente sobre o seu corrimento, como se interessasse a alguém que tem muito corrimento e que cheirava a raposinho. Menina, deixa-me explicar-te, tu falas disso com as tuas amigas, eu falo sobre o período, sobre sexo, sobre rapazes, sobre as coisas mais proibidas com as minhas amigas e evito que o meu melhor amigo ouça coisas do período ainda fica gay o pobre, e geralmente baixamos a voz, mas a questão é, não é para falar sobre essas coisas com toda a gente, entendeu?
É esta a principal razão por eu detestar os balneários de EF, parece que são sítios de conferencias sobre comparação de mamas e rabos, sobre as conversas que eu não quero ter com pessoas que não tenho confiança, eu tenho um conjunto de amigas com as quais eu posso ter à vontade esse tipo de conversas, eu até tenho o tal melhor amigo que meia volta me conta coisas que ninguém queria saber e me deixa traumatizada, mas menina do cheiro à raposinho, sabes porque é que não há problema? Porque há confiança e quando há confiança podes falar do teu cheiro à raposinho a vontade como se fosse o Chanel number 5. E eu não consigo estar nua nos balneários, o esforço que tenho de fazer para trocar o top pelo sutiã é horrível, às vezes ficam a olhar, ainda criam uma conversa a volta das minhas mamas ou do meu rabo ou lá o que for. É nojento e demasiado estranho.
É isto e a falta de higiene, sei lá, eu pessoalmente não acho normal que toda a turma beba da minha garrafa de água, são vinte e tal bocas mais as bocas que passam por essas bocas, eu empresto-a à pessoas com quem tenho confiança. Eu acho nojento emprestar objectos pessoais e passarem pela boca de todo o povo, a sério, e parece que sou a única pensar assim, já me aconteceu emprestarem-me toalhinhas de bebés usadas nos balneários. A sério? A sério? A sério?

A sério?

Não querem reutilizar o desodorizante já agora?

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