Archive for September, 2012

Eu tenho medo de morrer, houve tempos em que só tinha medo da dor, de como ia morrer, mas após duma noite em que me apercebi deste estranho ciclo da vida, que a frase memento mori saltou à minha mente e imaginei a minha vida pós morte que não irei ver, que não será mais minha, este medo surgiu. Eu tenho medo desse quarto escuro, desse vácuo, desse nada, a vida é tão bonita, e detesto a morte dos que amo e a minha própria morte. É estar contra uma espada e uma parede escolher entre a minha morte e a morte dalgum ente querido, admito.
Não quero ser enterrada, cadáveres metem-me impressão, não que me importarei muito na altura porque já terei atravessado o rio e falado com o anjo e o diabo do auto da barca do inferno, ou andarei por aí a pregar partidas à crianças e a fazer-me passar por demónio, ou já terei sido ceifada e lavada pelo reaper, ou simplesmente não estarei a fazer nada porque não haverá nada, sabe-se lá. Escolho a doação de órgãos em caso de morte cerebral, ou doação à ciência escolham vocês, podem cremar-se. Não gosto muito da ideia do caixão.

E a morte irrita-me, não me venham com as merdas da transformação, vocês não sabem merda nenhuma, é por isso que é a vida, como se fosse argumento. Vocês não sabem coisa nenhuma do mundo dos mortos, não sabemos se há paraíso, inferno, reencarnação, espíritos. Ficamos na dúvida, passamos esta vida a jogar à cabra cega, o que vale é o humor do jogo, o que vale é com quem jogamos, porque para mim o jogo vai acabar quando não houver mais ninguém com quem jogar, entendem? É eu estar a cambalear cega num cemitério.
É isso que me conforta, o que me conforta é juntar-me aos meus ídolos e mais tarde aos meus amigos, ou eles juntarem-se a mim, depende. E algo que só pessoas que criam fortes ligações com crianças específicas entenderão, é elas continuarem, manterem a raça, continuarem a legacia da família que não é legacia nenhuma, se eu morrer e souber que o meu sobrinho está vivo, eu serei o cadáver mais feliz do mundo. Caso contrário, morrerei de coração partido e ninguém entenderá e não haverá tempo para explicar.
Eu detesto a morte, eu não quero que a minha família morra, não quero que os meus amigos morram, não quero que sofram mortes dolorosas, eu queria viver para sempre, eu queria vê-los viver para sempre, termos o tempo todo do mundo, mas assim eu não viveria porra nenhuma, talvez seja por isso que a morte faça sentido, é o fim, todas as histórias precisam de um fim para fazer sentido. Faz sentido os budistas lembrarem-se três vezes por dia da sua mortalidade. Faz sentido eu estar encaixada numa época histórica, faz sentido eu ser a personagem principal da minha vida, faz sentido que a conte na primeira pessoa. Faz sentido para o mundo e para todas as leis que o meu coração pare de bater, menos para mim.
E eu estou no início, morro de medo da morte, morro de medo de envelhecer, morro de medo de tanta coisa, e vou ignorando essas coisas, juntando-me com pessoas que amo porque estão na mesma situação, escrevendo porque é a maneira que encontrei de mandar a morte morrer. E tenho imensa pena porque não posso fazer nada contra isto, talvez um dia faça sentido para mim, talvez um dia eu queira morrer, quando o jogo da cabra cega terminar. Mas agora, é para viver e fugir dos mortos. Até que a morte nos separe, mundo.

Quando me refiro a uma pessoa como labrega, não quero dizer um agricultor ou uma pessoa rústica, porque eu tenho uma veia rural e outra urbana, estou habituada a perder-me em pinhais, a passeios de bicicleta por terra batida, a coisas que considero óbvias como quando é que é o tempo de uma fruta qualquer ou a maré da ria, como também estou habituada a perder-me em grandes cidades do mundo, à viagens de avião e a comer fast food, e irrito-me tanto com gente labrega como com gente que não sabe que o leite vem das vacas.
O conceito de labreguice refere-se a gente sem classe, a gente sem educação, sem a mínima lógica, gente que fala de assuntos íntimos para todo o mundo ouvir, uma coisa é eu estar a passear na rua com os meus melhores amigos a falar de pilas e mamas e alguém aleatório apanhar a palavra sexo e ficar a olhar para mim traumatizada (geralmente é algo muito mau), outra coisa é falar com essa pessoa aleatória sobre pilas e mamas e para os seus acompanhantes aleatórios ouvirem, com toda a intenção do mundo, como quem fala que o Romney não pode ser presidente ou que o Coelho é mais um filho da puta. Entendem a diferença?

Labreguice é o que não falta por estas zonas, eu suporto gente um bocado ignorante porque ninguém é obrigado a saber tudo, eu suporto muita gente mesmo que não pareça, eu suporto. O que estou cada vez mais farta é esta labreguice, é raparigas começarem a falar do corrimento e de que tinham de ir a casa de banho porque o corrimento delas era assim e assado, e que tinham tomado banho mas que cheiravam a raposinho porque não sei que das não sei quantas, e eu a frente delas na aula de EF a ouvir tudo, digo, a rapariga a falar para toda a gente sobre o seu corrimento, como se interessasse a alguém que tem muito corrimento e que cheirava a raposinho. Menina, deixa-me explicar-te, tu falas disso com as tuas amigas, eu falo sobre o período, sobre sexo, sobre rapazes, sobre as coisas mais proibidas com as minhas amigas e evito que o meu melhor amigo ouça coisas do período ainda fica gay o pobre, e geralmente baixamos a voz, mas a questão é, não é para falar sobre essas coisas com toda a gente, entendeu?
É esta a principal razão por eu detestar os balneários de EF, parece que são sítios de conferencias sobre comparação de mamas e rabos, sobre as conversas que eu não quero ter com pessoas que não tenho confiança, eu tenho um conjunto de amigas com as quais eu posso ter à vontade esse tipo de conversas, eu até tenho o tal melhor amigo que meia volta me conta coisas que ninguém queria saber e me deixa traumatizada, mas menina do cheiro à raposinho, sabes porque é que não há problema? Porque há confiança e quando há confiança podes falar do teu cheiro à raposinho a vontade como se fosse o Chanel number 5. E eu não consigo estar nua nos balneários, o esforço que tenho de fazer para trocar o top pelo sutiã é horrível, às vezes ficam a olhar, ainda criam uma conversa a volta das minhas mamas ou do meu rabo ou lá o que for. É nojento e demasiado estranho.
É isto e a falta de higiene, sei lá, eu pessoalmente não acho normal que toda a turma beba da minha garrafa de água, são vinte e tal bocas mais as bocas que passam por essas bocas, eu empresto-a à pessoas com quem tenho confiança. Eu acho nojento emprestar objectos pessoais e passarem pela boca de todo o povo, a sério, e parece que sou a única pensar assim, já me aconteceu emprestarem-me toalhinhas de bebés usadas nos balneários. A sério? A sério? A sério?

A sério?

Não querem reutilizar o desodorizante já agora?

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A minha turma é a mesma do ano passado. Este ano suponho que será como o ano passado, melhor e pior. Mantenho a única amizade que fiz e se manteve até agora, que remota o ano de 2010, a Jelly. Há um brasileiro giro que veste t-shirts de Led Zepplin e Motorhead, e entre outras suponho, não está nem há 15 dias em Portugal, não conhece ninguém e não conhece nada, creio que deveria meter conversa com ele e oferecer-lhe ajuda, mas tenho tanta vergonha porque acho-o bonito (e sim, a Vicki não fala com rapazes bonitos até ter a mínima confiança com eles, vai-se lá saber por quê) e sempre tive brasileiras em turmas, mas nunca um rapaz. Há uma luso-russa que está de volta a Portugal, ofereci-lhe o lugar em MACS e mal posso esperar para ver se ganho confiança com ela para perguntar-lhe como se diz “vai a merda” ou “eu amo-te”, números, os dias de semana depois frases mais complexas em russo. Até agora sei dizer Vocka e Priviat. Há outra rapariga nova que esteve a viver em Bélgica há uns anos atrás, mas, o resto trata-se da mesma turma, excluindo os que reprovaram.
Mais nacionalidades a minha turma, que já incluía romena, angolana e venezuelana (eu). Acho giro esta variedade, acho os luso-estrangeiros os portugueses mais inteligentes e interessantes.

This.

Posted: September 19, 2012 in Bipolaridades
E às vezes eu só tenho de repetir constantemente a mim mesma antes de adormecer para NÃO:
  • Falar mal de toda a gente todo o tempo
  • Depender da companhia de quem seja para ir a seja onde for 
  • Me iludir 
  • Deixar amigos por trás por causa de novos
  • Correr atrás de “amigos” que não merecem 
  • Deixar de integrar pessoas na turma ou na escola 
  • Ser estúpida
  • Mudar como toda a gente

Waffles/pancakes: Então não sei quê, ele disse isto, ela disse aquilo, e depois isto e não sei quê e tal e coiso (…) E pareceu que eles queriam fazer uma manage!
Ela um segundo depois:

Irmã pequena de Waffles: O que é uma menageee?

Eu:

Não, a garota não ficou a saber. 

Eu gosto muito de rapazes, pelo menos fisicamente, porque eu detesto quase toda a gente, por isso rapaz ou rapariga não me faz diferença, eu sou muito a favor da igualdade. Só que como tenho um melhor amigo rapaz chego a conclusões mais positivas (geralmente…) que raparigas que foram traídas, por isso sou mais paciente e tenho mais conhecimentos e não começo logo a dizer OS GAJOS SÃO TOODOS IGUAIS. Sendo ele uma excepção do que o mundo masculino é na minha idade, porque ele sabe vestir-se, não sente a necessidade de explicar ao pormenor a sua vida sexual a toda gente e não anda a armar-se (digo masculino, mas acho que isto também serve para as raparigas, tirando a vida sexual ao pormenor porque as raparigas não se armam tanto em relação a isso em público, as pessoas assustam-me todas), desculpem a expressão eu sei que digo muitas asneiras no blog mas é que não há outra igual, há uma maioria de gajos que são uns verdadeiros conas ao tentarem parecer fixes.

Ai e tal sou swag, ó pra mim! – Chapéus enormes e redondos a dizer obey ou bonés que parece que saíram da categoria feminina, eu não gosto dos chapéus “swag” enormes e redondos mas não reclamo disso, mas dos bonés saídos da categoria feminia sim para mim o que me mete impressão é que quando o pessoal sai da sala lá estão eles a por o chapéu mesmo que não saiam da escola ou não esteja um dia de sol, é que eles apenas não os podem usar na sala de aula. É horrível. E raparigas também aderiram a esta moda não sei por quê. Ah, o pior é que pensam que mandam alto cenário. Sorry bro, you failed!

Calças coloridas e vestimentos de one direction ou a banda restart brasileira – Não, por favor não, é que mais gajos usam calças azuis ou verdes ou rosa choque skinny jean do que gajas, uma t-shirt roxa ou até cor de rosa fica bonito, mas não não não por favor não, calças extremamente coloridas não são nada sexy nem sequer em raparigas, tirando algo que não seja ladygagamente extravagante em raparigas (e nomeio o vermelho e o roxo escuro pouco brilhante coisa que nunca vi mas já imaginei e quero umas). Eu gosto de homem com calças de ganga e ponto final (e é que começam a ser raras). A outra opção é calças pretas ou então rapaz que veste camisas de botões e coisas de classe.

Rapazes a mostrar os boxers todos – Eu gosto quando os rapazes estão a tirar um casaco e quando o puxam, levantam a t-shirt e mostram a barriga e o começo dos boxers, é algo espontâneo, mas não gosto quando mostram a racha do cu. É estranho e nojento. Por favor, puxem as calças ou comprem cintos.

Por isso entendam, não é sexy tentar parecer swag com chapéus enormes redondos em sítios que não precisas dum chapéu, you know who wears a hat inside a building? No talent douchebags! (eu a copiar quotes de spn), não é sexy calças skinny jean colorida que queimam os olhos, não é sexy mostrar os boxers todos. Aprendam a vestir-se raios!

Foto tirada por Ana Anusca