Sermos nós próprios não é fácil. Sermos nós próprios quando temos gente à volta que nos torcem os olhos por isso muito menos. Sermos nós próprios no secundário é difícil. Tem sido muito difícil para mim, em dias cedi a pressão, nesses dias odiei-me quando sabia que tinha de ter detestado os que me fizeram sentir assim. E foi aí que comecei a detestar essas pessoas (ou melhor, essas atitudes, porque eu sempre vejo várias pessoas na mesma pessoa e não posso detesta-las a todas a não ser num caso extremo), foi aí que passei a não ter medo de caminhar sozinha nos corredores ou na rua, foi aí que deixei de me importar por me acharem uma solitária. Não me conhecem, eu vivo com as minhas próprias regras e no meu próprio mundo.
Posso ser venenosa se me tentarem meter veneno, the bitch sempre me disse “Nunca digas muito de ti aos outros, muito menos aprofundes das tuas fraquezas e falhas, eles serão fracos por não reconhecerem as tuas fraquezas e não conhecerem o teu passado”, life is the bitch. Nunca me tentem mudar, nunca façam isso nunca tentem, nunca me digam para ser quem eu não sou, porque para teatro só tenho jeito nos palcos ou para atingir algum objetivo, nunca para perder amor próprio, por isso, se ao ser eu própria significa não ser convidada para festas então eu não quero ir a festas, porque elas serão um cenário montado que se esmagara com vómito, esperma, frustração e pela força da falsidade.

Durante dois anos fui eu própria a achar estúpidas as pessoas que deixavam de ser elas por causa das pessoas estúpidas à sua volta, porque eu sabia que essas pessoas estavam no sítio errado com as pessoas erradas. Eu sabia que elas tinham sido mais erradas ao deixar de ser elas. Eu achava que era fácil até ter sido posta no meio de pessoas com as quais raramente me identifico. Até me ter enfrentado várias vezes contra o espelho e ter desejado parti-lo por achar que não era boa em nada e que eu não merecia ninguém. Foi aí que passei a não ter medo de vestir as minhas próprias roupas e de dizer o que queria dizer, foi aí que deixei de me importar por me acharem bizarra. Não me conhecem, eu vivo com as minhas próprias convicções e faço as coisas que gosto.
Eu não estou errada, nunca estive errada, nenhuma das vezes que chorei por ter querido ser como as outras raparigas não estive errada, apenas estive errada em ter desejado algo que rejeito, tanto por escolha como por natureza. Não sou como as outras raparigas, conversas fúteis comigo são raras.
Às vezes estou no sítio errado com as pessoas erradas. E não sou eu que estou errada, eu não tenho nada a provar, eu não tenho que fazer o que seja, eu quero é fazer o que quero fazer, e só isso é (da) minha responsabilidade, tudo o resto é secundário. Quem não escreve um livro, critica.
Não me conhecem, eu vivo com as minhas próprias regras e no meu próprio mundo. Matem a tua falsa realidade longe de mim oh adolescente comum. O que antes era ódio por ti, hoje é pena, puramente pena.

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Comments
  1. não sei como este texto não teve comentários! Gostei muito! 🙂 ~e consigo identificar-me completamente com ele.

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