Eu não me esqueço

Posted: January 18, 2012 in Cenas que escrevo, São histórias

Acho que desde sempre o destino, assim lhe chamarei, me levou aos lugares mais surpreendentes e fez conhecer pessoas fantásticas mas sem me prender nelas, elas entram na minha vida e partem, com ou sem aviso, e eu fui-me habituando a isso, mas a excepção comprova a regra e já tive decepções e tenho uma família, diria que tenho duas irmãs de sangue e uma sem laço de sangue, há uma frase que diz que melhores amigos não são nossos amigos – são da nossa família. E agora que sei que vai um membro entrar na minha família, eu quero que ele ou ela faça parte da minha vida e não que saia com a mesma facilidade com que entrará. Vou-lhe oferecer um peluche e não vou fazer como a minha madrinha, que me ofereceu um peluche quando nasci e há quase uma década que não entra em contacto comigo. Não a culpo, mas não quero ser como ela, que tudo o que tenho dela é um peluche.
Pelo tempo que por aqui ando conheci uma russa que me disse que privjet era olá, diz-se priviat e confessou as desgraças que o padrasto a fazia passar; uma muçulmana que me levou a casa dela no ramadão (lembro-me da casa decorada como se fosse carnaval), uma família luso-inglesa, um velho espanhol que me contou histórias sobre a guerra civil e a II guerra mundial; conheci uma rockeira que me incentivou a ouvir rock e que mais tarde se perdeu nas drogas se os rumores não mentem, conheci um rockeiro que me explicou tudo sobre grunge e me roubou o coração para mais tarde o partir, conheci um gótico que me vai contando as suas teorias anarquistas, conheci um rapaz que me vai roubando os livros e sem consciência, o coração – é que eu não controlo tudo, e mesmo que esteja apaixonada não estou aprisionada. E tenho essa vença de ir conhecendo pessoas fantásticas sem me prender, porque eu acho que se me prendo, a magia vira-se contra mim e perco o interesse (mais uma vez, a excepção comprova a regra), por isso vario nas companhias, não por interesse mas para eu própria não me cansar das pessoas. Portanto, eu passo muito tempo longe de determinadas pessoas e depois volto a aproximar-me, não quando quero ou preciso de algo, mas quando me sinto preparada para voltar a reencontrar a magia nelas, e por isso elas acham-me um pouco misteriosa.
No fim tudo o que resta são memórias, nomes que ainda recordo, citações que ainda consigo enxergar num dia caloroso dum parque húmido, sorrisos, caras a fragmentar-se enquanto vão rodando a minha volta – na minha mente, gritos que ouço quando vou a sítios que me levam a ter flashbacks, sentimentos perdidos, lições deixadas antes de partir.
Eu não me esqueço.

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