Archive for November, 2010

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Pequeninos, avermelhados, com inúmeros ossos sensíveis que se partiriam se se pegassem sem gentileza e com um crânio, visivelmente dividido em quatro, que se quebraria com uma simples pancadinha. Ali estavam eles, entre os 7 e 20 semanas, não de vida, mas de gestação, pois nunca chegaram a nascer, e nos via-mo-los através dos recipientes com um tal liquido que lhes mantinham o corpo sem vida, para que todos pudessem ver que eles não tiveram a mesma chance de ao menos nascer, e eu pergunto-me, aquelas crianças, poderiam hoje ser adolescentes e estar naquela exposição a ver tal como eu, outros humanos que não puderam nascer se a mãe os quisesse ou os pudesse ter tido? Não é justo. Aqueles seres foram a única coisa que me meteram impressão no meio de ossos e outros restos humanos.

Fixei-os, vi como um dia fui e continuei, afinal tinha um caminho a fazer que eles nunca puderam sonhar.
RIP Each kid that a woman couldn’t have, or didn’t wanted have. RIP my twins siblings.
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Um coração começou a bater, ninguém ouviu nem ninguém sentiu, muitas vezes ninguém fazia ideia da sua existencia. Era um coração pequenino, batia muito depressa, bombeando sangue que iria alimentar e fazer crescer os pequeninos tecidos daquela criatura pura.
Um coração começou a bater, ele marcou e iniciou o relógio do tempo de todos nos, apartir daquele momento uma vida ia começar, um relógio contra-tempo sem botão de stop começou a contar os segundos, e ninguém poderia impedir ou parar aquela vida, apenas a morte. O tempo agora não podia ser parado, aquela criatura ia crescer rapidamente, ia transformar-se em breve numa menina ou menino.

Um coração começou a bater, a mãe não fazia ideia do milagre, indesejado ou desejado, prestes a começar. O milagre da vida.

A caixa de segredos

Posted: November 3, 2010 in Cenas que escrevo
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Havia um segredo. Esse segredo era uma coisa preciosa para ela. Estava guardado numa pequena caixa, juntamente com mais segredos, mas tal como toda a gente, é preciso de vez enquando libertar um segredo, para deixar espaço para outro.
Foi o que ela precisou de fazer, aliviar a sua caixa de segredos. Foi ter com um confidente e libertou-a. E o confidente, em vez de deixar o segredo na sua caixa de segredos, libertou-o novamente, e o segredo, deixou de ser um segredo, pois já não estava mais nas caixas de segredos das pessoas e sim nas suas bocas.
Qual era o segredo? Ora, isso para voces continuará a ser um segredo.